A OIT alerta hoje para o crescimento do desemprego em Portugal desde 2008, com a perda de um em cada sete empregos, e afirma que a situação não melhorou desde o lançamento do programa de assistência financeira acordado com a troika.

«Portugal enfrenta a situação económica e social mais crítica da sua história económica recente. Desde o início da crise global, em 2008, perdeu-se um em cada sete empregos - a mais significativa deterioração do mercado de trabalho entre os países europeus, depois da Grécia e de Espanha», diz o relatório sobre o mercado de trabalho e o desemprego em Portugal, que a Organização Internacional do Trabalho apresenta hoje.

Segundo a «TSF», a OIT considera que o Governo deve ponderar aumentar o salário mínimo e diz que, com a ajuda da Europa, o país pode criar 100 mil empregos até 2015. A organização considera que é possível criar 108 mil empregos nos próximos dois anos.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentará hoje um relatório, a que a agência Lusa teve acesso, onde analisa o impacto da crise económica global no mercado de trabalho em Portugal, com o título «Enfrentar a crise em Portugal».

O relatório será lançado numa «Conferência de Alto Nível», em Lisboa, que contará com a participação de membros do Governo de Portugal, representantes dos trabalhadores e representantes dos empregadores.

O Diretor Geral da OIT também estará presente na reunião.

No relatório a debater em Lisboa, a OIT salienta que «a taxa de desemprego em Portugal atingiu um máximo histórico de mais de 17 por cento» e que «os trabalhadores jovens e as famílias com crianças de tenra idade têm sido afetados desproporcionadamente pela contração económica».

«O mercado de trabalho não registou qualquer melhoria desde o lançamento do programa de assistência financeira acordado com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, em 2011. De facto, a tendência de desemprego crescente intensificou-se nos últimos dois anos ¿ embora com alguns sinais de redução nos meses mais recentes», refere o documento.

De acordo com a OIT, o volume do investimento produtivo em Portugal foi reduzido em mais de um terço desde 2008 - tendo-se verificado grande parte deste declínio nos dois últimos anos -, provocando uma erosão nos ganhos de produtividade e prejudicando uma prosperidade futura.

«Os mais de 56 por cento de desempregados que estão sem trabalho há mais de um ano estão a perder competências e motivação, e terão acrescida dificuldade em participar numa retoma económica futura caso não lhes seja prestado um apoio adequado. Muitos trabalhadores, incluindo parte dos jovens mais talentosos e qualificados, têm vindo a ser empurrados para a emigração», salienta o relatório.

Para a OIT, a «situação crítica» do país reflete uma combinação de fatores macroeconómicos e de fatores estruturais.

«A política orçamental tem sido orientada para uma rápida redução dos défices, os quais haviam atingido proporções alarmantes. As medidas de restruturação do setor público contribuíram diretamente para o desemprego. Os cortes nos salários e nas prestações sociais, combinados com certos aumentos fiscais, desgastaram os rendimentos das famílias e a procura interna», refere.

Segundo a OIT, as sucessivas políticas ativas de emprego e os serviços públicos de emprego têm sido insuficientes para fazer face ao aumento significativo do desemprego registado nos últimos anos.

A organização internacional defende que é necessária uma nova estratégia e lembra, nomeadamente, que a proporção de trabalhadores a auferir o salário mínimo mais do que duplicou desde o início da crise.