A Alemanha considera que o Banco Central Europeu não consegue resolver a crise do euro e impões mais responsabilidades aos países para fortalecerem as economias, realizarem reformas e apertarem as regras fiscais.

A posição será assumida pelo governador do Bundesbank no encontro de economistas que decorre neste domingo em Aix-en-Provence, na França, de acordo com o discurso que Jens Weidmann fará - e que foi previamente revelado à comunicação social.

O diretor do banco central alemão - um dos 23 membros do conselho governativo do BCE - vinca a responsabilidade a ter por cada país três dias depois de o presidente do BCE, Mario Draghi, ter revelado que pretende manter as taxas de juro em valores mínimos recorde - após a Reserva Federal dos EUA ter anunciado a diminuição do estímulo á economia.

«A política monetária já fez muito para absorver as consequências económicas da crise, mas não pode resolver a crise», diz Weidmann, numa citação feita pela Reuters, frisando que há «consenso» no conselho governativo do BCE, pois, os impactos estruturais causados pela crise «requerem soluções estruturais».

O chefe do banco central alemão não quer que uma intervenção excessiva do BCE leve os países a desacelerarem nas reforma: «Para por em prática todo o potencial da moeda comum são necessários esforços em duas frentes: reformas estruturais bem como a abolição das garantias implícitas para os bancos e para os estados soberanos.»

Weidmann deixa claro que se os estados não querem abdicar da sua independência fiscal rumo a uma união fiscal, as regras têm de ser apertadas: «Somando a regras mais fortes, precisamos de garantir que num sistema de controlo e responsabilidades nacionais, a dívida pública é possível sem deitar abaixo o sistema financeiro.»

O líder do Bundesbank afirma ainda os governos devem diminuir o que chama de «excessivamente próxima relação» entre os bancos e estados soberanos acusando as instituições bancárias europeias de deterem demasiados títulos de dívida dos seus governos.

FMI diminui ritmo para ajustamento orçamental

No mesmo encontro de economistas, a diretora do FMI já admitiu, pelo seu lado, que o ajustamento orçamental «brutal» não tem de ser levado «ao máximo» pelos países e admite erros de avlaiçaõ por parte d Fundo Monetário internacional.

Na reunião de Aix-e-Provence, Christine Lagarde assume que o FMI deve ter uma perspetiva mais de longo prazo ao mesmo tempo que não conseguiu prever uma crise tão grande de liquidez.