Embora o diploma que reintroduz os cortes de 3,5% a 10% para os funcionários públicos cujo salário seja superior a 1.500 euros tenha sido já publicado esta sexta-feira e, teoricamente, tenha efeitos já a partir de amanhã, sábado, nem todos os trabalhadores do Estado vão sentir os efeitos na carteira ao mesmo tempo.

Aqueles que integram serviços que já concluíram o processamento de salários não sofrerão o corte já no final de setembro, mas sim só no final de outubro, altura em que a situação será corrigida, esclarece o Ministério das Finanças, numa nota enviada à Lusa.

A tutela explica que «devido à enorme complexidade» que envolve o processamento de salários na Função Pública, o corte nos salários será aplicado ainda este mês apenas aos trabalhadores dos serviços que ainda não fecharam o processo.

No caso dos serviços onde os salários já foram processados, os funcionários públicos «verão a sua situação corrigida no mês de outubro». Claro que, nessa altura, serão feitos os acertos respetivos a setembro.

«As novas regras serão agora implementadas pelos vários serviços responsáveis pelos processamentos de salários da Função Pública», indica o ministério liderado por Maria Luís Albuquerque.

Estas reduções salariais retomam os cortes do Governo anterior, liderado pelo socialista José Sócrates, decretados ainda antes do programa de ajustamento e que estiveram a ser aplicados entre 2011 e 2013.

O corte menor, de 3,5%, aplica-se a salários entre os 1500 e os 2000 euros. Para os funcionários que auferem um rendimento mensal entre 2000 e 4165 euros, o corte é de 3,5%, acrescido de 16 % sobre o valor da remuneração total que exceda os 2000 euros, perfazendo uma redução global que varia entre 3,5% e 10 %. No caso das remunerações acima dos 4165 euros mensais, o corte será de 10%.