O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Portugal, Abebe Selassie, vai sair do programa português.

O indiano Subir Lall vai ser o próximo chefe da missão do FMI - integrante da troika - a Portugal, iniciando funções em meados de setembro, disse fonte oficial da instituição.

Subir Lall irá estar já aos comandos da oitava e nona avaliação ao nosso país.

Em nota enviada à Lusa, o FMI assinala que Abebe Selassie vai transitar para o Departamento Africano da instituição, sendo substituído na missão para Portugal por Subir Lall, diretor adjunto no Departamento de Assuntos Europeus e até aqui chefe da missão para a Alemanha e Holanda.

Subir Lall iniciará funções «a meio de setembro», adianta o FMI, que destaca a «vasta experiência» do novo chefe de missão para Portugal «em economias avançadas e emergentes», casos de Coreia, Malásia, Roménia e Rússia, entre outras.

Doutorado em economia pela Universidade de Brown (EUA), foi também responsável pelo World Economic Outlook, publicação de referência do Fundo.

O Governo pediu a 11 de julho à troika um adiamento da 8ª avaliação do programa, que deve ocorrer, juntamente com a 9ª avaliação, no final de agosto/início de setembro, para concluir o programa de ajustamento dentro do prazo previsto.

A revisão, que deveria ter começado a 15 de julho, já ia arrancar mais tarde devido aos atrasos na conclusão da 7ª avaliação, decorrentes da demora no plano de corte na despesa do Estado e do 'chumbo' do Tribunal Constitucional a quatro normas do Orçamento do Estado para 2013.

Questionado, na semana passada, sobre a solidez da solução governamental encontrada e potenciais atrasos na oitava avaliação do programa de assistência a Portugal, decorrentes da remodelação desta semana, o porta-voz Wiliam Murray disse que tal «não é necessariamente pertinente» no processo, frisando que o FMI tem «uma relação ativa e contínua com o governo português».

«Não temos nenhum comentário especial sobre questões de pessoal a não ser reiterar que estamos desejosos de continuar a trabalhar com as autoridades para apoiar os esforços de Portugal para criar as condições para um crescimento sustentável, uma recuperação sustentada e a criação de emprego», sublinhou.

O FMI tem vindo a considerar que Portugal fez «progressos sólidos» ao abrigo do programa apoiado pela Comissão Europeia, pelo Banco Central Europeu e pelo Fundo Monetário Internacional.

Numa reação à saída de Vitor Gaspar do governo, a 1 de julho, fonte oficial do Fundo afirmou que «o compromisso das autoridades com os objetivos do programa e com a sua implementação permanece inalterado, assim como o compromisso [do FMI] de ajudar o país a avançar no caminho da recuperação económica».

O conselho de administração do FMI discutiu a 12 de junho a avaliação da troika no âmbito da sétima avaliação do programa de Portugal, aprovando o pagamento da oitava 'tranche' do empréstimo acordado, no valor de 657,47 milhões de euros e assim elevando os montantes já desembolsados pelo FMI para os 19,7 mil milhões de dólares (ou 22,55 mil milhões de euros).

O conselho de administração do Fundo aprovou também o pedido de alteração dos critérios de desempenho para o final de junho deste ano, apresentado por Portugal.

A sétima avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) de Portugal foi a mais longa desde o início da intervenção, há cerca de dois anos.

O chumbo do Tribunal Constitucional a quatro normas do Orçamento do Estado para 2013 levaram a que as instituições exigissem compensações ao desvio orçamental, e como tal as autoridades portuguesas só conseguiram o acordo com a troika a 13 de maio, quase dois meses depois da apresentação do ministro das Finanças.

Os empréstimos do FMI fazem parte do acordo realizado entre Portugal, o Fundo, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, a 20 de maio de 2011.

No total, Portugal vai receber 78 mil milhões de euros da troika, ao longo de três anos.