O coordenador da FECTRANS considerou hoje ser necessário saber como é que o país vai financiar as 59 infraestruturas anunciadas quinta-feira pelo Governo, lembrando que houve projetos em desenvolvimento suspensos há pouco tempo devido ao contexto de crise.

«É preciso conhecer como é que o país vai financiar estes novos 59 projetos prioritários. Há que lembrar que há muito pouco tempo foram suspensos projetos que estavam em desenvolvimento devido ao contexto que o país se encontrava», explicou José Manuel Oliveira, em declarações à agência Lusa.

O Governo aprovou quinta-feira um conjunto de 59 investimentos prioritários a concretizar nos próximos oito anos, que envolvem um investimento global de 6.067 milhões de euros, a maioria dos quais nos setores marítimo-portuário e ferroviário.

As prioridades estão estabelecidas num relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho para as Infraestruturas de Elevado Valor Acrescentado (GTIEVA), que o Governo vai enviar hoje para Bruxelas e cujas linhas gerais foram apresentadas quinta-feira pelo Ministro da Economia, em conferência de imprensa.

O sindicalista relembrou que durante o mandato desde Governo o país assistiu «à suspensão total do investimento público» e acusou que, agora, «de um momento para o outro, passa do 8 ao 80 e já há condições para fazer 59 projetos».

«É uma interrogação que qualquer cidadão tem o direito de colocar e saber se isso vai implicar aumento de impostos para financiar este financiamento ou de onde é que ele [dinheiro] vem», sublinhou, adiantando, no entanto, que a FECTRANS há muito que defende o investimento público de forma a impulsionar a atividade económica.

José Manuel Oliveira considerou ainda que se a decisão do Governo tiver por base o relatório de Grupo de Trabalho para as Infraestruturas de Elevado Valor Acrescentado, o país pode estar «perante mais um conjunto de parcerias público-privadas» idênticas às vividas anteriormente e que conduziram a que os trabalhadores e os cidadãos vissem reduzido o seu nível de vida.

«Há questões que nos levantam desde já reservas, nomeadamente as recomendações [do Grupo de Trabalho] ao Governo, muitas das quais para mexer nas leis do trabalho para permitir um aumento de lucros para as empresas», frisou.

O sindicalista referiu também que se pode estar, a pretexto de um conjunto de medidas e obras, «que até podem ser as mais importantes para o país», num novo processo «conducente à privatização do setor de transportes e das infraestruturas».

«Não sabemos se é nesta base ou não que está o anúncio da fusão da Estradas de Portugal com a REFER e outras medidas que poderão ser uma consequência deste anúncio. São questões que temos refletido em função do grupo de trabalho. Falta conhecer na totalidade daquilo que o Conselho de Ministros aprovou e que sustenta o que ministro anunciou», concluiu.