O ministro da Economia disse, este sábado, à Lusa que terminou a missão de captação de investimento aos Estados Unidos «animado» face a eventuais futuros projetos, mas também pelo reconhecimento da imagem de Portugal em áreas de forte caráter tecnológico.

A última paragem da missão portuguesa, que arrancou na passada segunda-feira em Nova Iorque, foi São Francisco e a região de Silicon Valley, reconhecida como um centro de inovação tecnológica de excelência.

«Como ministro da Economia, tenho obrigação de manter a reserva relativamente aos projetos específicos de que fomos falando ao longo destes dias, mas devo dizer que saio daqui ainda mais animado do que cheguei porque percebo o reconhecimento que existe relativamente ao projeto que Portugal está a fazer, e é muito gratificante perceber que em áreas evoluídas tecnologicamente (¿). Portugal é encarado como um país onde vale a pena investir», disse António Pires de Lima, em declarações à Lusa na sexta-feira à noite.

No último dia da missão, a comitiva portuguesa foi recebida em São José na sede da Cisco, empresa norte-americana da área das tecnologias de informação que emprega atualmente em Portugal 340 pessoas.

«A Cisco é um excelente exemplo, uma excelência referência, de como Portugal se está a tornar um país muito competitivo para a localização de centros de serviços de valor muito acrescentado», indicou o ministro, adiantando que no encontro com vários responsáveis do grupo tecnológico foi abordada «abertamente», por parte do Governo português, uma eventual expansão da atividade da empresa no futuro.

Em setembro de 2008, a Cisco Systems anunciou um investimento de cerca de 5,6 milhões de euros para a instalação em Portugal do seu centro europeu de suporte de serviços. Em 2011, o grupo também foi visitado durante uma deslocação do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, à Califórnia.

A comitiva também foi recebida na sexta-feira nas instalações do popular site de leilões online eBay.

Ainda na região de Silicon Valley, Pires de Lima encontrou-se com algumas dezenas de empresários da diáspora portuguesa e jovens portugueses fundadores ou com envolvimento em start-ups.

Atualmente, os portugueses e lusodescendentes residentes nos Estados Unidos rondam os 1,4 milhões, verificando-se a maior concentração no estado da Califórnia.

Durante cerca de uma hora, a comitiva esteve reunida com estes empresários, que questionaram os responsáveis portugueses sobre temas como o investimento em Portugal, a constituição de empresas, os incentivos fiscais e a área de formação e educação.

«É muito importante fazer este trabalho de cultivar os laços com a diáspora, de semear junto de potenciais investidores para que, dentro de três meses, seis meses, um ano, possamos vir colher os frutos deste trabalho», referiu Pires de Lima.

Em tom de balanço, o ministro da Economia salientou a importância destes roadshows de investimento, afirmando ser necessário «semear para colher amanhã».

Neste sentido, Pires de Lima recordou a recente oferta pública de venda dos CTT (Correios de Portugal). «Muitas empresas com quem fomos falando ao longo dos últimos meses, e obviamente também os roadshows feitos pelo conselho de administração dos CTT, entidades inglesas, alemãs, ganharem posições importantes de acionistas nessa empresa», destacou.

Esta missão aos Estados Unidos é a quarta etapa do roadshow de promoção de investimento em Portugal que o Ministério da Economia está a desenvolver junto dos seus principais parceiros económicos. As anteriores etapas passaram por Londres, Berlim e Moscovo.

«É tempo de, no fundo, dar nota do que estamos a fazer bem em Portugal, do potencial de Portugal como centro de investimento para a Europa, mas também para outros continentes, nomeadamente África, e é através deste trabalho continuado que amanhã vamos poder seguramente ter mais investime