Cerca de 43% dos obrigacionistas, que poderão perder dinheiro com a venda do Novo Banco, são clientes de retalho ou seja pequenos investidores não qualificados, que também serão forçados a assumir perdas.

Os detentores de obrigações do Novo Banco terão de aceitar perder 500 milhões de euros para que a venda ao fundo Lone Star se concretize. Trata-se de uma das condições necessárias para que o sucessor do antigo BES mude de mãos.

Grandes fundos de investimento norte-americanos já intentaram processos contra o Estado português. Porque também fazem parte do universo de obrigacionistas que deverá ser abrangido pela troca de obrigações, que representam entre 2,9 mil milhões e os 3 mil milhões de euros.

Negociação suspensa

A TVI apurou que poderão ser abrangidas 37 séries de obrigações sénior do Novo Banco, a maioria admitidas no Luxemburgo e em Londres.

Entre estas obrigações, emitidas ainda pelo Banco Espírito Santo, alguns meses antes da resolução, uma das séries, no valor de 200 milhões de euros, vence-se já no próximo mês de junho. Outras há que só vencem em 2019 e a maioria só daqui a 30 anos.

Sucede que a negociação destas obrigações está suspensa desde que a venda do Novo Banco foi anunciada.

Além destas séries de obrigações, podem ainda ser afetadas as obrigações hipotecárias emitidas já pelo Novo Banco e que estão a ser negociadas na Irlanda no valor de 10 mil milhões de euros.

Troca de dívida

A operação de troca de dívida que está a ser montada pelo Governo e pelo Banco de Portugal prevê que os obrigacionistas recebam novas obrigações com um valor mais baixo que o atual ou com uma maturidade mais longa.

Na prática, sendo aprovada por uma maioria de dois terços na Assembleia de Obrigacionistas, o Novo Banco tentará oferecer aos detentores de obrigações séniores novos títulos de dívida, que deixará os seus detentores penalizados em termos de valor.

A alternativa a este corte para os obrigacionistas pode, contudo, ser o risco de tudo perderem, num cenário extremo em que a venda ao Lone Star não avance e o banco tenha de ser liquidado.

Além dos pequenos obrigacionistas, há também fundos de investimento, os mesmos que já em 2015 perderam tudo o que tinham investido nas obrigações que transitaram para o chamado BES "mau".

Estes fundos de investimento já entregaram nos tribunais portugueses uma ação contra o Estado, precisamente para tentar impedir a venda do Novo Banco.