Dois ministros e cinco secretários de estado de Portugal deverão visitar a China nas próximas três semanas, numa invulgar coincidência de agendas, que evidencia o desenvolvimento das relações bilaterais, disseram hoje à agência Lusa fontes diplomáticas.

A série de visitas começa em Xangai no dia 11 de novembro com a ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, culminando com o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território, e Energia, Jorge Moreira da Silva, esperado em Pequim na última semana do mês.

Estes contactos «traduzem um saudável acompanhamento por parte do governo da atual dinâmica das relações económicas luso-chinesas e das perspetivas abertas com a visita do presidente da Republica (em maio passado)», comentou à agência Lusa o embaixador português na China, Jorge Torres-Pereira.

As referidas visitas coincidem também com um bom momento das exportações portuguesas para a China.

Pelas contas chinesas, nos primeiros nove meses de 2014, as exportações portuguesas cresceram 27% em relação a igual período do ano passado, somando 1,28 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros).

Mas o saldo da balança comercial bilateral, no valor de 1,05 mil milhões de euros, mantém-se largamente favorável à China, indiciam os números da Administração-Geral das Alfandegas Chinesas divulgados há uma semana.

A ministra da Agricultura participará em Xangai numa grande feira internacional de vinhos e produtos alimentares, setor considerado muito promissor para as exportações portuguesas.

Cerca de 50 empresas portuguesas estarão representadas no certame.

Assunção Cristas irá também a Hangzhou, acompanhado pelo secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, viajando a seguir para Pequim, para uma visita de 24 horas.

O secretário de estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, é esperado em Xangai a 13 de novembro, no mesmo dia em que a secretária de estado do Tesouro, Isabel Castelo Branco, chegará a Pequim.

O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, visitará a China de 14 a 19 de novembro, seguindo-se o ministro Jorge Moreira da Silva, de 26 a 30 de novembro, e o secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, de 28 novembro a 02 de dezembro.

«A nossa relação com a China é tão importante e economicamente relevante que há necessidade de manter este ritmo de contactos», realçou o embaixador Jorge Torres-Pereira.

China é um dos principais investidores em Portugal

A China foi um dos principais investidores em Portugal nos últimos três anos, nomeadamente no setor da energia, onde já investiu mais de 3.000 milhões de euros.

No plano politico, as relações são consideradas excelentes e a transferência de Macau para a administração chinesa, em 1999, é vista como uma «história de sucesso» pelos governos dos dois países.

Portugal e China estão também ligados por um acordo de «parceria estratégica global», assinado em dezembro de 2005.

«O aprofundamento das relações com a China é importante para o nosso crescimento económico e para resolver alguns problemas como seja o desemprego», disse o presidente Cavaco Silva em maio, no final da sua última visita à China.

«Dada a dimensão deste país, conquistar uma quota de mercado, mesmo que seja de décimas, terá um grande impacto em Portugal», acrescentou.

Na altura, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que a China estava «disposta a trabalhar de mãos dadas com Portugal» para promover «uma nova etapa» nas relações bilaterais e «encarar novas oportunidades de desenvolvimento».

«Concordámos manter os contactos de alto nível, aprofundar a confiança mútua e intensificar a comunicação sobre importantes temas regionais e internacionais, fundando uma base política cada vez mais sólida para o relacionamento bilateral», disse Xi Jinping após o encontro com o homólogo português.