Um grupo de investidores europeus e árabes está a desenvolver dois projetos turísticos na ilha de São Miguel, nos Açores, que incluem o antigo Hotel Monte Palace e um terreno onde funcionou uma fábrica da baleia.

“Ao nível do turismo, temos dois projetos em fase de concretização. Um deles é a aquisição do hotel Monte Palace” afirmou Manuel Barreiros, representante do fundo, que inclui capital português, acrescentando que o negócio será feito com “parceiros açorianos”, que optou por não revelar.

O grupo de investidores, que termina na sexta-feira uma visita de quatro dias à ilha de São Miguel, esteve reunido com o presidente do Governo Regional, no Palácio de Santana, em Ponta Delgada, para apresentar projetos de investimento nos setores do turismo e exportação.

Sem avançar o valor de aquisição do antigo Hotel Monte Palace, propriedade do Banif e com vista privilegiada para as lagoas das Sete Cidades, mas degradado há anos, Manuel Barreiros assegurou que o edifício será reabilitado para voltar a funcionar como hotel, sem se comprometer com datas para a reabertura.

O hotel Monte Palace foi inaugurado em 1989 e empregava mais de cem pessoas, mas fechou pouco tempo depois por falta de lucro e até 2010 teve segurança em permanência, mas depois ficou ao abandono, tendo sido vandalizado e saqueado.

O edifício de cinco pisos tinha dois restaurantes, três salas de conferência, uma discoteca, uma loja, 88 quartos, 52 suites juniores, 27 quartos duplos, quatro quartos duplos com saleta, quatro suites de luxo e uma suite presidencial.

“O turismo faz-se de diversidade. Aquilo que é diferente atrai, desde que seja bom”


Além do hotel, o grupo de investidores está a negociar com o Banif a aquisição do terreno onde funcionou a antiga fábrica da baleia, junto aos poços de São Vicente Ferreira (concelho de Ponta Delgada) e que atualmente conserva apenas a chaminé em pedra, para aí desenvolver um projeto turístico.

O investidor anunciou também a intenção de levar vários produtos açorianos para o mercado do Médio Oriente, dadas as “necessidades permanente” existentes em locais como o Qatar, Dubai, Jordânia e Arábia Saudita.

“Estamos em contato com distribuidores no Médio Oriente, a quem já levamos produtos açorianos com sucesso. Levamos água, leite de longa duração, em pó, conservas, queijo, manteiga e sumo de maracujá, que causou ótima impressão”, disse Manuel Barreiros.

Este grupo de investidores tenciona ainda criar o primeiro fundo de investimento privado para empresas nos Açores, destinado a conceder financiamento direto e a reestruturar ou adquirir empresas.

O presidente do Governo Regional dos Açores manifestou-se “satisfeito” com as intenções reveladas pelo grupo de investidores e com a capacidade de a região, “de forma crescente”, atrair investimento estrangeiro.

Segundo Vasco Cordeiro, essa capacidade de atração é “fruto também do trabalho e estratégia seguida de forma determinada pelo Governo Regional”. As novas acessibilidades aéreas e a baixa de impostos na região também contribuíram para essa captação de investidores externos, acrescentou.

“O que esperamos é que [esses novos investimentos] deem frutos, criando riqueza e emprego na região”, afirmou Vasco Cordeiro, lembrando que a criação deste canal de exportação para o Médio Oriente é uma área em que o Governo Regional tem trabalhado.