Os cidadãos chineses lideram os investimentos em imobiliário em Portugal, ao abrigo do programa dos vistos gold, que no mês passado registou 103 autorizações de residência, segundo a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP).

Segundo a Lusa, na lista dos dados acumulados deste programa, 1.777 chineses tinham comprado uma casa pelo mínimo de 500 mil euros desde 2012, sendo seguidos por 74 investidores brasileiros e 70 russos, lê-se no comunicado hoje divulgado pela APEMIP.

Dos 2.203 vistos atribuídos desde 2012, 2.088 devem-se à aquisição de casas, 113 à transferência de capitais e três por criação de pelo menos 10 postos de trabalho.

Citado no comunicado, o presidente da associação, Luís Lima, reconheceu o impacto da investigação judicial à atribuição das autorizações de residência, mas notou que a questão não teve «dimensões dramáticas».

«É natural que tenha havido uma retração, na medida em que o impacto mediático deste escândalo foi brutal, mas sem as dimensões dramáticas de que se falou», afirmou o responsável, reportando-se à Operação Labirinto, que desmantelou uma rede de corrupção, na qual, alegadamente, participaram representantes de organismos do Estado.

Luís Lima previu que o investimento brasileiro tenha um «crescimento acentuado».

Desde a sua criação, os vistos gold registaram 1,3 mil milhões de euros de investimento, com a aquisição de bens imóveis a ultrapassar os 1,2 mil milhões de euros.

A Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) tinha já hoje informado que a compra de imobiliário atingiu em fevereiro 55 milhões de euros, traduzindo um «regresso à tendência de crescimento» registada até novembro de 2014.

Em comunicado, a CPCI indicou que, no mês passado, o programa registou um total de investimentos de 62 milhões de euros, dos quais 95% correspondem à área do imobiliário.

O programa de atribuição de vistos prevê a emissão de autorizações de residência para estrangeiros, oriundos de fora do espaço Schengen, com investimentos em Portugal por um período mínimo de cinco anos.

A Assembleia da República deverá aprovar, por proposta do Governo, o alargamento do programa a investimentos à reabilitação urbana, atividades de investigação ou apoio à produção artística e cultural e a majoração dos projetos realizados em territórios de baixa densidade.