As autoridades cipriotas anunciaram esta sexta-feira a abertura de um inquérito judicial para apurar as responsabilidades da crise financeira, que obrigou a ilha a recorrer a um plano de resgate com condições draconianas.

O inquérito penal concentra-se nos delitos eventualmente cometidos entre 2006 e 2013, por pessoas suscetíveis de serem responsabilizadas pela crise, explicou o procurador-geral, Petros Klerides, citado pela Lusa.

A imprensa local pormenorizou que o inquérito vai incidir sobre a transferência de fundos para a Grécia a partir do já desaparecido banco Laiki, as anulações amigáveis de dívidas, as vendas fraudulentas de títulos, as compras massivas de dívida pública grega pelo Laiki e pelo Banco de Chipre e ainda a internacionalização descontrolada destes dois bancos.

A crise financeira cipriota, provocada essencialmente pela exposição dos bancos da ilha à dívida grega, levou o país a recorrer, no final de março, a um plano de resgate, cujas condições podem prolongar durante muito tempo a recessão na qual o país está mergulhado.

Em contrapartida de um empréstimo de 10 mil milhões de euros, Chipre teve de encontrar 13 mil milhões, essencialmente através de uma reestruturação do sistema bancário, que fez perder aos titulares de contas bancárias todos ou parte dos fundos acima dos 100 mil euros.