No Dia Mundial da Criança o regulador das comunicações, Anacom, quis assinalar a data com a publicação de uma infografia que sintetiza os principais indicadores sobre a utilização de serviços de comunicações pelas crianças residentes em Portugal, no primeiro trimestre de 2018, cuja fonte é o Barómetro de Telecomunicações da Marktest.

E são três os grandes números que saltam à vista, no estudo que analisa o comportamento das crianças e jovens portugueses entre os 10 e os 17 anos. Só menos de 10%, 6% mais concretamente, não tem/ usa telemóvel. Destes, se escolhermos os jovens entre 13 e 17 anos, vai ser mesmo difícil encontrar um que não tenha um equipamento, já que 97% têm. 

As percentagens caem quando falamos da utilização de internet dos telefones, mesmo assim, 78% (entre os 16 e 17 anos) utiliza internet no dispositivo móvel. Nas crianças entre 10 e 12 anos, a utilização de internet, do total que tem telemóvel, baixa para 36%.

Já no que toca aos serviços mais utilizados por crianças entre os 10 e os 12 anos, as redes sociais surgem no topo, seguidas das mensagens instantâneas e dos vídeos online.

Consumo de comunicações eletrónicas pelas crianças

Proteja o seu filho na utilização das telecomunicações e da internet

É inquestionável que o mundo das comunicações eletrónicas está repleto de vantagens, mas existem também alguns perigos que devem ser considerados. Por isso, a Anacom chama a atenção dos pais para alguns dos perigos que podem surgir com a utilização que os seus filhos fazem das comunicações eletrónicas, em particular da Internet.

1. Risco da adição à Internet: A utilização em excesso da Internet, sobretudo por parte de crianças muito novas (antes dos 6 anos) pode aumentar o risco de perturbações psicológicas e sociais como por exemplo alterações dos padrões de sono e o isolamento. Decida qual a idade em que o seu filho pode navegar na Internet e esteja atento ao tipo de utilização que faz. Estabeleça regras e horários e lembre-se que deve ser o primeiro a dar o exemplo. Se não quer que o seu filho esteja com o telefone ou o tablet em ocasiões sociais, não o faça também à sua frente.

2. Conteúdos impróprios: Conteúdos inadequados na Internet estão facilmente acessíveis a crianças e jovens.  

Alerte o seu filho para o tipo de navegação que deve fazer e para os riscos que corre. Esteja atento a eventuais comportamentos de risco na navegação que o seu filho faz na Internet. Saiba que é possível instalar software de filtragem, bloqueio e monitorização nos equipamentos usados pelos seus filhos (telemóveis e tablets).

3. Troca de mensagens (chats): Já ouviu falar em grooming online? É o termo usado para definir a prática de aliciamento de menores, em rede, designadamente através de chats e de redes sociais. Hoje em dia as crianças que navegam livremente na Internet estão fortemente expostas a este risco.

Defina as regras de utilização das redes sociais para o seu filho e controle escrupulosamente o seu cumprimento. Os pais devem estar presentes na vida dos seus filhos tanto online como offline.

4. Cyberbullying: Mensagens de ameaça ou de perseguição, roubo de identidade, humilhação pública, designadamente através de fotografias, e, envio de vírus e malware, são alguns exemplos de bullying através da Internet. Este fenómeno está frequentemente associado a jovens e adolescentes, uma vez que se encontram numa fase mais suscetível às interações com outros pares. Uma vítima de cyberbullying pode adotar comportamentos de risco.

Esteja atento a eventuais comportamentos estranhos do seu filho e acompanhe a sua vida dentro e fora da Internet.

5. Subscrição de canais de TV: Hoje em dia as boxs de TV apresentam uma série de opções com o objetivo de facilitar a vida dos utilizadores. Também é possível ativar canais e conteúdos televisivos a partir do comando da box.

Caso tenha filhos menores em casa, deve verificar, na sua box de TV, as definições de controlo parental dos conteúdos televisivos para evitar que o seu filho aceda inadvertidamente a canais ou filmes do videoclube que não pretende pagar ou que não sejam apropriados para a sua idade. Geralmente é possível ativar códigos para subscrição de conteúdos televisivos e bloquear determinados canais.

6. Wap billing: É um mecanismo que permite aos consumidores adquirir conteúdos (toques, jogos e imagens) a partir de páginas WAP (Wireless Application Protocol), que são cobrados diretamente na fatura de serviço de acesso à Internet ou descontados no saldo do cartão (no caso dos pré-pagos).

Alerte o seu filho jovem ou adolescente para os perigos de subscrição inadvertida de conteúdos através da Internet. Saiba mais sobre o wap billing.

7. Comércio eletrónico: Hoje em dia, é muito fácil fazer compras através da Internet.

Caso tenha filhos menores em casa, proteja os seus dados bancários incluindo números de cartões de crédito, para evitar utilizações abusivas ou inadvertidas dos mesmos para efetuar compras online. Se utiliza métodos de pagamento virtuais como por exemplo o Paypal, verifique sempre que não escolhe a opção de guardar passwords e que encerra a sessão após a utilização.