Os ministros das Finanças da zona euro deram luz verde ao empréstimo do terceiro resgate à Grécia, de até 86 mil milhões de euros a três anos, divulgou esta quarta-feira o Mecanismo Europeu de Estabilidade em comunicado.

O Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) deu conta de que o seu Conselho de Governadores, composto pelos 19 ministros das Finanças da zona euro, entre os quais Maria Luís Albuquerque, “aprovou hoje a proposta” da direção de providenciar “ajuda financeira à Grécia”.

Apesar de não ser revelado na nota de imprensa, uma fonte citada pela agência EFE referiu que além dos da luz verde ao programa financeiro foi hoje ainda autorizada uma primeira tranche de cerca de 26 mil milhões de euros, que permitirá a Atenas fazer face aos seus compromissos mais imediatos, desde logo aos 3,4 mil milhões de euros que tem de pagar esta quinta-feira ao Banco Central Europeu (BCE).

Quanto ao montante total do terceiro resgate à Grécia, de até 86 mil milhões de euros, o MEE (conhecido como o fundo de resgate da zona euro) refere que o montante total a atribuir à Grécia até 2018 vai depender da participação do Fundo Monetário Internacional (FMI) no novo resgate, o que acontecerá após a primeira missão de avaliação, assim como do “sucesso da Grécia na aplicação das reformas”.

O empréstimo para a Grécia irá ser libertado à medida que o Governo grego liderado por Alexis Tsipras for executando as medidas.

O terceiro resgate à Grécia está, como habitual, condicionado a um memorando de entendimento que Atenas tem de executar, com medidas austeridade e privatizações.

O MEE diz precisamente que as eventuais receitas com privatizações também podem “reduzir o montante global do apoio financeiro necessário”.

Segundo o Mecanismo, o programa destina-se a “restaurar a sustentabilidade orçamental, salvaguardar a estabilidade financeira, impulsionar o investimento, competitividade e crescimento e reformar a administração pública”.

Citado no comunicado, o presidente do Eurogrupo e do Conselho de Governadores disse que o acordo irá dar “perspetivas à economia da Grécia” que serão as bases para um “crescimento sustentável” e garantiu que haverá uma monitorização apertada do processo.

“Eu já disse que não vai ser fácil. Com certeza encontraremos problemas nos próximos anos, mas confio que saberemos lidar com eles”, afirmou Jeroen Dijsselbloem.


No mesmo sentido, o presidente do Mecanismo, Klaus Regling, considerou, citado no mesmo comunicado, que o novo resgate vai ser um ponto de viragem para o país helénico, lembrando que além das reformas na economia e no Estado, o programa vai também servir de apoio ao sistema bancário grego.

As instituições europeias irão agora assinar o acordo com o ministro das Finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos.