O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, esteve no centro de um debate no parlamento grego que terminou noite dentro. O governante insistiu na renegociação da dívida e recua aquilo que chamou de «rendição incondicional».

«Nós procuramos um compromisso honesto com os nossos parceiros. Mas não esperem que assinemos uma rendição incondicional. É por isto que somos atacados sem piedade, mas é a razão pela qual a sociedade nos apoia», sublinhou o responsável.

A aplicação do acordo, que prevê o prolongamento por quatro meses do pagamento dos empréstimos internacionais, impõe ao governo a apresentação de uma lista de reformas, mas que, pelo menos para já, não satisfez os credores internacionais.

«Há conversas construtivas a decorrer desde sexta-feira, mas ainda não chegámos lá», adiantou esta segunda-feira um porta-voz da Comissão Europeia à Reuters, sublinhando que as propostas «requerem muito trabalho técnico».

Enquanto não houver acordo os parceiros não libertam as tranches de ajuda necessárias para a Grécia saldar as dívidas e pagar salários e pensões. O próximo pagamento que Atenas tem de fazer ao Fundo Monetário Internacional é já a 09 de abril.

Apesar de não ter adiantado muitos pormenores sobre as medidas apresentada ao Grupo de Bruxelas, Tsipras mencionou no parlamento grego a luita contra o contrabando e contra as fraudes IVA e o controlo dos depósitos bancários no estrangeiro.

E voltou a defender a necessidade de uma renegociação da dívida, sem a qual, antecipou, «o reembolso será impossível».

O Eurogrupo deverá voltar a reunir depois da Páscoa, deixando Atenas com uma margem cada vez mais pequena. Esta quarta-feira reúne-se o grupo técnico, para discutir a situação.

Na passada sexta-feira a agência de notação financeira Fitch baixou a classificação da dívida grega em dois pontos, de «B» para «CCC», devido aos «riscos elevados» que rodeiam as negociações entre Atenas e os seus credores internacionais.

Também para depois da Páscoa está agendada a visita de Tsipras à Rússia, um evento que agudiza os receios das instituições de que Atenas se reaproxime de Moscovo. Recorde-se que a Grécia já admitiu que poderia procurar apoio financeiro da Rússia e da China, se a Europa não o fizer.