[Notícia atualizada às 15h25]

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, disse esta quinta-feira que teve uma conversa «muito longa e construtiva» com o homólogo grego, Yanis Varoufakis.

A conferência de imprensa, aliás, começou com cerca de 45 minutos de atraso em relação à hora prevista (12:30, hora de Lisboa)

O governante admitiu que os dois não estão de acordo em vários pontos, mas que ambos são a favor da integração europeia. «Concordamos em discordar», sumarizou o responsável alemão, no final do encontro com o homólogo grego.

Schäuble adiantou também que é necessário apreciar os esforços e o progresso que os gregos já alcançaram, mas sublinha que a situação da Grécia foi causada pelos problemas internos. 

Neste encontro, o ministro das Finanças alemão foi questionado pelo seu homólogo quanto às intenções políticas do seu governo, ao que  Schäuble respondeu: «Quando essas promessas são à custa de outros não são realistas». E adiantou: «sou cético sobre algumas das medidas anunciadas pela Grécia. Vão na direção que não queremos».

O ministro alemão reconhece que, «há que respeitar a vontade dos eleitores gregos», mas também é preciso «respeitar a vontade dos eleitores de outros países europeus».


Grécia tem que continuar a trabalhar com a troika

Wolfgang Schäuble adianta e é perentório: «A Grécia tem de continuar a trabalhar com o Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia», ou seja, com a troika. Varoufakis pediu um adiamento até maio, para poder preparar o programa, tempo que, aliás, já tinha sido pedido pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsripas.

A Grécia deveria ter saído do programa de ajustamento no final de dezembro. O prazo acabou por ser prolongado até 28 de fevereiro.

Schäuble aproveitou ainda para reiterar que a Grécia tem de reformar o seu sistema fiscal. E reforçou a oferta alemã de enviar 500 inspetores para o país. Esta oferta já tinha sido feita pela Alemanha, mas a Grécia havia recusado.

O governante alemão sublinhou que não querer fazer uma «Europa alemã», mas sim aumentar a competitividade da economia europeia. E disse-se preocupado de que o projeto europeu possa perder o apoio em muitos países da zona euro.

Na resposta, o homólogo grego adiantou: «Não chegámos a acordo, mas também não acordamos em discordar. Acordamos sim em encetar um debate orientado para uma solução europeia para um problema europeu».

Num discurso sem direito a qualquer sorriso, o governante avisou que a austeridade e a dívida são o «ovo da serpente» (alusão a um filme de Ingmar Bergman sobre o surgimento do nazismo na Alemanha). 

Grécia garante que «fará tudo para evitar um default»

Sobre a questão polémica da dívida, o ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, garantiu ainda que o Governo de Atenas fará «tudo o que puder» para evitar a falta de pagamento.

Recorde-se que, na quarta-feira à noite, o BCE anunciou que vai deixar de aceitar títulos de dívida grega como garantia nas operações de refinanciamento.

Uma possível redução da dívida da Grécia não esteve na mesa de conversações, sublinharam os dois ministros.

O ministro das Finanças grego disse que não quer excluir completamente o programa de resgate, mas mudar as suas prioridades e filosofia, que considera erradas.

Varoufakis afirmou que o programa «não tem reformas significativas» para atacar a fraude fiscal e a corrupção e tem uma filosofia errada que faz com que a dívida seja «insustentável».