Foi uma promessa eleitoral do Syriza e será, provavelmente, a última que o governo de Atenas quer deixar cair: o corte nas pensões é, talvez, o que mais separa a Grécia e os credores.

E porquê? Atenas gasta 17% do Produto Interno Bruto com o pagamento de pensões, um valor que está 5% acima da medida europeia. A continuar assim, representará um quarto do PIB do país em 2060.

Só este ano, o pagamento de pensões na Grécia representará uma despesa para o Estado de quase 16 mil milhões de euros, apesar dos cortes já realizados para uma média de 797 euros por pessoa.

Mas, apesar desses cortes já feitos, a mando dos credores, o sistema continua a não ser sustentável, porque cerca de um quarto da população está desempregada e não contribui para o sistema. A juntar a isto, o facto de cada vez mais funcionários públicos estarem a submeter pedidos de aposentação faz temer o pior.

Uma das exigências dos credores é, aliás, que a idade da reforma seja aumentada imediatamente para os 67 anos. No caso das reformas antecipadas, o Grupo de Bruxelas quer que apenas seja possível a partir dos 62 anos, quanto até agora os gregos poderiam fazê-lo antes dos 61.

Do lado grego, a proposta passa por um aumento mais gradual da idade da reforma, para entrar em vigor em 2016 e ser concluída em 2025.

Na última proposta feita na passada quarta-feira, os credores instaram Atenas a reduzir os gastos com pensões em 1% do PIB e prometer não reverter as reformas estabelecidas.

Querem também que a Grécia acabe com um benefício para os pensionistas de baixos rendimentos, chamados EKAS, para poupar 800 milhões de euros em 2016.