"Se ficarem calados...". Perante o reboliço entre os jornalistas que se atropelavam nas perguntas, foi esta a reação do presidente do Eurogrupo à saída da reunião dos ministros das finanças da Zona Euro, esta terça-feira. Depois desse aviso, aí sim, começou por explicar que não, ainda não houve novas propostas gregas, portanto não há acordo em cima da mesa. Passo a passo, o que se espera é vir a negociar um novo programa de ajuda financeira de médio prazo. 

Ainda num tom muito comedido, e sem tocar num possível grexit, Jeroen Dijsselbloem avisou, no entanto, que o Eurogrupo aguarda essas novas medidas que Euclids Tsakalotos ficou de apresentar entretanto.

"Ainda não apresentou novas propostas, mas vai enviar-nos rapidamente uma nova carta a pedir o apoio do Mecanismo Europeu de Assistência. Depois disso, vai apresentar propostas do lado grego, de forma a encontrarmos uma plataforma substancial de acordo" 


O ministro das Finanças da Finlândia tinha dito, antes, que "nas próximas horas", o mais tardar amanhã de manhã, o governo de Alexis Tsipras dará a conhecer essas novas propostas. 

Hoje, durante as quatro horas da reunião os líderes europeus abordaram os resultados do referendo e, perante este compasso de espera, decidiram agendar para quarta-feira de manhã nova conference call. 

"O  primeiro passo é a Grécia pedir às instituições o acesso a financiamento... Depois, novo Eurogrupo, para começar formalmente as negociações sobre um possível programa", reforçou Jeroen Dijsselbloem. 

Se o caminho for esse, "teremos de ter um programa de médio prazo, por razões de credibilidade. Os problemas na Grécia são profundos"


Daí a necessidade de um programa mais duradouro. "Tudo isto tem de ser feito numa questão de dias. Temos muito pouco tempo, como todos sabem".


Grécia quer financiamento provisório antes do grande acordo


As propostas feitas pelo grego governo aos credores na semana passada - mas que eles nem analisaram porque quiseram esperar pelo referendo - continuam em cima da mesa , apesar de algumas "melhorias", adiantou entretanto fonte do governo helénico.  

"Estas propostas incluem reformas, financiamento, investimento e liquidação da dívida".

A ideia é obter duas coisas: uma solução já para julho, para que o financiamento possa ser restaurado e os bancos poderem, finalmente, abrir; e, depois, um acordo de longo prazo, adiantou fonte oficial à Reuters. 

"A proposta do lado grego é para um financiamento até ao final do mês, a fim de preparar o grande e viável acordo nesse período"


Mesmo com acordo, prazos são difíceis


Se tudo correr pelo melhor - e mesmo com uma cimeira extraordinária no domingo, como parece estar em cima da mesa - a Grécia poderá não conseguir receber dinheiro do Mecanismo Europeu de Estabilidade antes de 20 de julho.

E isso será um problema, uma vez que já a partir do dia 10 o país fica em apuros, com reembolsos de dívida e outros pagamentos. Já para não falar dos bancos. 

Alexis Tsipras vai discursar no Parlamento Europeu na quarta-feira de manhã. Do que disser, dependerá a luz verde que quer receber. 
 

"Há esperança"


O presidente do Eurogrupo mostrou-se prudente no que toca a prognósticos. "Ainda é cedo para dizer". "A Grécia precisa mesmo de reformas credíveis e deve estar politicamente preparada para isso".

Já o comissário europeu para os assuntos económicos, Pierre Moscovici, tem "esperança" num acordo: "O Eurogrupo vai trabalhar rápido para manter a zona euro intacta".
 

Merkel deixa avisos

Depois do Eurogrupo, o Conselho Europeu de emergência. À chegada, a chanceler alemã Angela Merkel deixou alguns alertas aos microfones dos jornalistas. 

Primeiro, "não há ainda base" de negociação. Segundo, solidariedade e reformas têm de andar de mãos dadas. Terceiro, "o tempo é curto". 


Obama fala com Merkel e Tsipras


Antes do Conselho Europeu de emergência, que se seguiu ao Eurogrupo, o primeiro-ministro grego conversou com o Presidente dos EUA por telefone. 

Alexis Tsipras colocou Barack Obama a par das intenções da Grécia em pedir um empréstimo de emergência, adiantou fonte do governo helénico, que é citada pela Reuters.

Obama terá expressado forte esperança num resultado positivo para o desfecho das negociações, tendo falado igualmente com a chanceler alemã.