A ministra das Finanças admitiu este sábado, em Bruxelas, que haja "alguma perturbação nos mercados" face à rutura nas negociações com a Grécia, pois é uma "situação que nunca foi vivida antes", mas considerou que Portugal está muito melhor preparado.

Palavras que encontraram eco nas do presidente do Eurogrupo, que  disse que a zona euro, e em particular os países que estiveram sob programa, estão muito melhor preparados para fazer face a eventuais consequências no seguimento da rutura das negociações com a Grécia.

Questionado sobre se os ministros das Finanças da zona euro discutiram esta tarde, em Bruxelas, o receio de eventual "contágio" da crise grega a outros países, Jeroen Dijsselbloem indicou que não houve uma "discussão específica", mas que há a firme convicção de que a zona euro está hoje muito melhor preparada do que antes da crise e fará "pleno uso de todos os instrumentos disponíveis" para garantir a estabilidade da união monetária e reforçar a resiliência das economias.

"Estamos em muito melhor forma do que antes da crise, especialmente os países que estiveram sob programa", como Portugal e Irlanda, que "fizeram reformas profundas e têm muito mais estabilidade" financeira, declarou, após uma segunda reunião do Eurogrupo celebrada hoje à tarde, já sem a participação da delegação grega, e que teve lugar "a pedido de vários ministros", indicou.

A ministra Maria Luís Albuquerque insistiu ainda que a atual crise prende-se apenas com o facto de o programa de assistência à Grécia expirar na próxima terça-feira sem que tenha sido possível um acordo - "porque as autoridades gregas interromperam unilateralmente as negociações" - e garantiu que "não se discutiu o cenário de saída (da Grécia) da área do euro", sublinhando que "o Eurogrupo continua a ter 19 Estados-membros" e a Grécia continua a fazer parte do euro, apesar de a reunião de hoje à tarde ter sido apenas a 18.

"Reafirmamos, naturalmente, que a Grécia é um membro da área do euro e que estamos plenamente do lado do povo grego e que continuaremos a trabalhar com eles e com as instituições, no sentido de garantir que todo este processo tenha um desfecho tão positivo quanto possível", disse.

Quanto a Portugal, insistiu que não foi referida qualquer preocupação específica, nem tão pouco o Governo está preocupado a nível de financiamento do Estado.

"Nós temos uma reserva financeira muito confortável que nos dá para vários meses e, portanto, em termos de acesso ao mercado, mesmo que houvesse alguma perturbação, isso não teria qualquer consequência para o financiamento do Estado português, porque temos esta ‘almofada’ e esta reserva", indicou.

"Em qualquer caso, aquilo que é importante é o reiterar da quantidade de instrumentos que existem e que estão disponíveis, e o reiterar da disponibilidade dos Estados-membros e das instituições para usar esses instrumentos se a situação globalmente o justificar", completou.