"Fora de questão". Angela Merkel não usa meios termos para se expressar sobre um eventual perdão "clássico" da dívida grega, mas não é acompanhada na rigidez do discurso por outros líderes, com o o próprio Presidente do Conselho Europeu. Donald Tusck está mais recetivo a uma solução. E já. 

Esta quinta-feira, dia em que Atenas tem de entregar as suas propostas, para serem analisadas na cimeira de domingo, a Alemanha manifestou que, da sua parte, esta moeda de troca não será possível, defende a líder da maior economia europeia.

"Já disse que um corte clássico da dívida está fora de questão para mim e isso não mudou entre ontem e hoje"


A chanceler da Alemanha recordou o que já foi feito pela Grécia, a esse nível. "Em 2012, lidámos com o problema da sustentabilidade da dívida (grega). Alargámos as maturidades, adiámos o pagamento ao Fundo de Estabilidade para lá de 2020".

Ou seja, frisou, "não é a primeira vez que lidamos com a sustentabilidade da dívida". 

A Grécia pensa de outra maneira e continua a defender o contrário. Ontem mesmo, perante o Parlamento Europeu, o primeiro-ministro grego insistiu na necessidade de reestruturação da dívida.  


                                             Alexis Tsipras no Parlamento Europeu [Reuters]
                                           (clique na imagem para ver o que disse ao vivo)


Alexis Tsipras lembrou que a Grécia foi o "laboratório da austeridade", mas que a “experiência falhou” e que o país precisa de uma "discussão sincera sobre uma solução para o problema da sustentabilidade da dívida pública",

Manifestou ainda a crença de que conseguirá alcançar, até ao final da semana, um acordo justo e que não irá cometer "erros do passado". As propostas serão submetidas nas "próximas horas", segundo a AFP, e há cimeira agendada para domingo.

E não é só da Grécia que vêm ventos favoráveis quanto a fazer alguma coisa sobre a dívida. O presidente do Conselho Europeu e das cimeiras do euro, Donald Tusk, defende-o. 


                                     Alexis Tsipras e Donald Tusk [EPA]

Tusk considera que as propostas realistas de reformas que são reclamadas ao Governo grego devem ser correspondidas precisamente com propostas realistas dos credores sobre a sustentabilidade da dívida, para que todos fiquem a ganhar. 

Antes do presidente do Conselho Europeu, a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, e o secretário do Tesouro dos EUA, Jack Lew, já tinham também defendido a reestruturação da dívida grega, a par da implementação de novas reformas no país.