A chanceler alemã, Angela Merkel, voltou a frisar, este domingo, que um “perdão clássico” da dívida grega está fora de questão, mas admitiu, numa entrevista à televisão pública alemã ARD, que é possível discutir uma nova redução nos juros e um prazo maior para a dívida da Grécia.
 
Merkel deixa, contudo, uma condição: um possível alívio só acontecerá após uma primeira revisão positiva do programa de resgate negociado com Atenas.
 
A chanceler disse ainda que a sugestão do ministro das Finanças alemão de uma saída temporária de Atenas da moeda única não obteve consenso junto dos restantes parceiros da Zona Euro e salientou que a solução encontrada evitou uma situação caótica.
 
O Parlamento grego aprovou na última quarta-feira a primeira parte das reformas exigidas pelos credores. Após a aprovação, os gregos recebem esta semana um primeiro pacote de ajuda.
 
Na entrevista deste domingo, Merkel disse que essa ajuda abre caminho para a Grécia receber um novo alívio na dívida, já concedido em ocasiões anteriores. "Tivemos uma redução da dívida voluntária por parte dos credores privados e então estendemos os prazos e reduzimos os juros", disse.
 

“Agora podemos falar sobre essas possibilidades de novo... uma vez que a primeira revisão bem sucedida do programa a ser negociado for concluída, em seguida exatamente esta questão será discutida", acrescentou.

 
Na mesma entrevista, Merkel pediu rapidez nas negociações do novo pacote de resgate que será negociado. “Certamente não vai ser fácil, porque há coisas que temos discutido com todos os governos gregos desde 2010 que nunca foram feitas, mas que foram feitas em outros países como Portugal e Irlanda", afirmou.
 
A chanceler assegurou ainda que Wolfang Schäuble nunca lhe falou em demissão. “A mim ninguém me falou de demissão. Não houve qualquer pedido nesse sentido”, afirmou.

No sábado, Wolfang Schäuble admitiu, em entrevista ao jornal “Der Spiegel”, a possibilidade de demitir-se.