Lula da Silva disse numa reunião do PT que está de "saco cheio" das acusações de corrupção. Já fez o pedido formal de suspensão do inquérito em que é investigado por tráfico de influências. Mas a verdade é que o cerco está a apertar para o antigo presidente brasileiro e Portugal e alguns políticos portugueses acabam por aparecer colados a uma polémica que ninguém sabe muito bem onde vai acabar. 

O jornal Globo avança com informações diplomáticas trocadas entre embaixadores e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Nessas mensagens, constam as atividades de Lula Silva depois de deixar a presidência. 

De 2011 a 2014, Lula esteve contratado pela Odebrecht, a maior construtora brasileira, para fazer palestras em conferências e ser pago por isso. Mas segundo avança o Globo, Lula faria também lóbi a favor da empresa a nível internacional e teria direito a remuneração ou comissões nos contratos, algo que é considerado crime no Brasil desde 2002. 

Em Portugal, nos últimos três anos encontrou-se com atuais  titulares de cargos públicos, como Pedro Passos Coelho e Cavaco Silva. 

Ainda segundo o Globo,  o ex-presidente Lula da Silva terá intercedido junto de Pedro Passos Coelho, em encontro em privado, para que a Odebrecht vencesse a corrida à privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF). Na verdade, a EGF acabou nas mãos da Suma, do grupo português Mota-Engil. 

Lula da Silva está a ser investigado por alegadamente favorecer uma construtora na obtenção de contratos durante viagens pela América Latina e África, entre 2011 e 2014, quando já não era presidente. 

O Correio da Manhã avança que a justiça brasileira pediu a colaboração de Portugal no processo. A Operação Lava Jato é a maior investigação de corrupção no Brasil. Envolve 500 pessoas, das quais 49 são políticos. O inquérito junta também empresas a trabalhar em Portugal, como a Odebrecht  e também a Camargo Corrêa, que já teve Armando Vara como presidente.