O “Empros” é o jornal mais vendido na ilha de Lesvos. Costumava ir para as bancas com 20 páginas. Agora, as notícias têm de se apertar em 16. Tudo por que na Grécia dos bancos fechados e sujeita a controlo de capitais é cada vez mais difícil para as publicações comprarem papel.
 

“O nosso fornecedor não nos pode abastecer, porque [o papel] está retido na alfândega”, disse à Reuters o diretor executivo do “Empros”, Manolis Manolas.

 
E explicou a razão do impedimento: “Ele não consegue pagar aos fornecedores estrangeiros, uma vez que as transferências bancárias estão bloqueadas e há muito pouco dinheiro para continuar as operações”.
 

“Há definitivamente um problema com o abastecimento de papel”, salientou Manolis Manolas, sobre um tema que já tinha motivado um editorial no maior jornal do país.

 

“O jornal que está nas suas mãos tem apenas 32 páginas, porque as reservas de papel para imprimir irão durar apenas alguns dias e não será possível obter um novo abastecimento”, lia-se no “Ta Nea” de 1 de julho.

 
Um responsável governamental disse à Reuters que o problema afeta principalmente os jornais das zonas mais remotas da Grécia.
 
Várias destas publicações sobrevivem graças a benefícios fiscais e a publicidade. Esta quinta-feira, o governo emitiu um comunicado para assegurar que estes privilégios não serão revogados, mesmo que alguns jornais tenham de encerrar temporariamente.