O grupo de trabalho do Eurogrupo reúne-se esta quarta-feira, por teleconferência, para discutir a situação da Grécia, quando se arrastam as discussões com os credores para finalizar uma lista de reformas que permita desbloquear dinheiro para o país.

Esta reunião, composta por representantes dos estados-membros da zona euro e da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, analisará as medidas que estão a ser discutidas entre o Governo grego e os credores.

No entanto, para já, ainda não está prevista uma reunião dos ministros das Finanças da zona euro, o Eurogrupo, que tem o poder de desbloquear a ajuda financeira à Grécia quando o país se defronta com uma grave crise de liquidez.

Este encontro do Eurogrupo poderá vir a acontecer na próxima semana, mas para isso é preciso que se chegue, entretanto, a um acordo sobre a lista de reformas a implementar. A Comissão Europeia tem dito que esse pacote deve ser tão «credível como amplo».

Desde o Eurogrupo de 20 de fevereiro, em que os 19 países da zona euro acordaram estender o programa de resgate à Grécia até ao final de junho, que se vêm prolongando as discussões com os credores e os parceiros europeus sobre as medidas a aplicar no país e que chegaram mesmo a ter ares de braço de ferro, aumentando os receios de uma saída do país da zona euro.

Entretanto, à margem da cimeira de líderes europeus de 19 e 20 de fevereiro, o primeiro-ministro grego assumiu novamente o compromisso de entregar uma nova lista completa de reformas específicas.

No último fim de semana, responsáveis da Grécia e do denominado Grupo de Bruxelas – constituído por Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Mecanismo Europeu de Estabilidade – começaram então a analisar um primeiro rascunho da segunda lista de reformas enviada por Atenas, que propõe medidas que - prevê o Governo grego - deverão resultar num excedente orçamental primário (sem pagamento de juros) de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo dos 3% acordados com o anterior Governo, e num crescimento económico de 1,4% do PIB este ano.

A imprensa tem noticiado fortes divergências entre os dois lados, com os credores a insistirem em medidas mais detalhadas.

A Grécia tem cada vez mais necessidade de assistência financeira para evitar uma situação de incumprimento, o que, se nada for feito, poderá acontecer ainda durante o mês de abril face à escassez de dinheiro nos cofres públicos.

O país tem de amortizar 15,5 mil milhões de euros em dívida aos seus credores até agosto, isto além das despesas correntes normais, como salários e pensões.

Para isso, é importante para a Grécia que seja desbloqueada parte dos fundos da última fatia do programa de resgate (de 7,2 mil milhões de euros). Atenas reclama ainda 1.900 milhões de euros de lucros feitos pelos bancos centrais da zona euro com a sua dívida soberana.