O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, reafirmou esta terça-feira que a Grécia não receberá dinheiro se o Governo de Alexis Tsipras não fizer as reformas necessárias.

Dijsselbloem fez a afirmação durante uma entrevista a um canal de televisão holandês, na qual salientou que não será possível a Grécia «ter o dinheiro sem fazer cortes».

As declarações do presidente do Eurogrupo e ministro holandês das Finanças foram feitas na véspera da reunião técnica que os representantes da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Europeu vão ter em Bruxelas, para rever o programa de assistência à Grécia.

«A Grécia tem que começar de imediato a dar passos para cumprir os termos dos acordos dos empréstimos ou os mercados financeiros perderão de novo a confiança no país», disse o político holandês.

Na entrevista lembrou ainda que a Grécia deve começar na quarta-feira as conversações com os peritos financeiros, em Atenas, e com os credores, em Bruxelas.

Segundo Dijsselbloem estas negociações servirão para analisar as reformas que o país deve aplicar para receber mais financiamento.

«Se o programa ficar morto num canto, o resto do mundo não terá demasiada confiança nele e a desconfiança regressará à Grécia», afirmou.

Os ministros das Finanças dos 19 países que formam o Eurogrupo pediram segunda-feira a Atenas que faça mais e fale menos, pois consideraram que era necessário acelerar as negociações, mas que se avançou pouco desde que, no final de fevereiro, se acordou prolongar até junho o programa da Grécia.

«Para mim é claro que, apesar do programa ter sido prolongado por mais quatro meses, não haverá dinheiro em forma de créditos se a Grécia não avançar», disse esta terça-feira Dijsselbloem.

O ministro das Finanças holandês referiu ainda que em dois anos de mandato conheceu «vários colegas gregos, com quem se trabalhou seriamente», mas considerou que também existem, há muito tempo, políticos na Grécia «mais interessados nos assuntos privados e em proteger os seus amigos, que em abordar realmente os problemas do país».

«Esse círculo tem que romper-se, é um problema de corrupção, evasão fiscal, nepotismo. Se na governação de um país não se abordam esses assuntos, resta pouca esperança», afirmou.