Depois da rutura na negociação entre o Eurogrupo e a Grécia, bem patente ao final da tarde de segunda-feira, esta manhã de terça-feira as posições não se alteraram. Os ministros das Finanças do euro fizeram ontem um ultimato a Atenas, advertindo que deve pedir a extensão do atual programa da troika até sexta-feira, caso contrário as negociações caem em saco roto. Hoje, o ministro grego Yanis Varoufakis devolveu a responsabilidade pelo próximo passo aos seus parceiros do euro:

«O passo seguinte é o passo mais responsável. A Europa vai continuar a deliberar para aumentar as probabilidades ou melhor, de conseguir um resultado muito bom para o europeu comum»

 
À chega ao Ecofin, que reúne os ministros das Finanças da União Europeia, o presidente do Eurogrupo reiterou, por sua vez, o que já tinha dito ontem:

«Espero que eles [Grécia] peçam uma extensão do programas e, assim que o façam, podemos permitir flexibilidade no contexto do programa»

 
O Eurogrupo não utilizou a palavra «ultimato» para classificar estas declarações, mas a Grécia entendeu-o como tal, sem deixar, no entanto, domar-se pela ameaça. Varoufakis fez questão de lembrar, no final da reunião do Eurogrupo, que os ultimatos não tiveram bons resultados na história da Europa.

Na conferência de imprensa de ontem, o ministro grego garantiu que estava preparado para assinar, «sem hesitar», um acordo que lhe foi apresentado pelo comissário europeu dos Assuntos Económicos, mas que foi retirado «minutos antes de o Eurogrupo começar», pelo seu líder Dijsselbloem, que apresentou uma proposta com diferenças assinaláveis, insistindo no prolongamento do programa que ainda está em vigor, com o qual Atenas quer cortar relações.

Varoufakis insistiu que o seu Governo foi eleito para mudar a lógica do programa: «Não nos interessam mudanças cosméticas».

Já hoje, o porta-voz do governo helénico assegurou que o seu país não pede a extensão que a Europa pretende, «nem com pistola apontada à cabeça».

Portugal alinhou com os restantes países do euro. A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, lembrou mesmo que «18 países no Eurogrupo e três instituições tomaram a mesma posição».
 
O braço de ferro endureceu e, para já, não tem solução à vista.