A Grécia pediu esta segunda-feira aos credores para lhe adiantarem dinheiro em troca dos progressos recentemente alcançados nas negociações, garantindo que "já não há liquidez na economia grega".

"Os avanços registados devem constituir um passaporte para uma flexibilização do financiamento da economia grega", afirmou num encontro com jornalistas em Atenas Gabriel Sakellaridis, porta-voz do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.

Segundo Sakellaridis, Atenas quer "chegar a um acordo global (com os credores) até ao fim de maio ou de junho, um acordo que tenha a maior duração possível" e sem passar necessariamente por um acordo intermédio.

Questionado sobre se o acordo global incluiria uma renegociação da dívida, Sakellaridis respondeu: "É o governo que decidirá o momento oportuno para colocar essa questão".

O porta-voz reconheceu que "já não há liquidez na economia grega" e que "não se pode avançar com reformas eficazes num estado de asfixia financeira".

"Para nós é importante que a libertação de financiamento ocorra o mais depressa possível", insistiu, acrescentando que "hoje" seria a data desejável.

Sakellaridis disse ainda que nas propostas apresentadas aos credores, o governo grego fez "concessões".

"Não podemos aceitar os ataques alegando que só apresentamos ideias e nenhuma proposta concreta", adiantou.

O porta-voz sugeriu que pode ser alcançado um acordo "nos pontos em que há entendimento, deixando as questões divergentes para uma nova ronda de negociações", mas fonte europeia afirmou que não se coloca a hipótese de dividir as reformas em pacotes.

Após três dias de negociações no Grupo de Bruxelas, que inclui representantes do governo grego e dos credores europeus e do Fundo Monetário Internacional, há ainda reuniões previstas até quarta-feira.

As negociações parecem decorrer num ambiente mais desanuviado depois da remodelação da equipa negocial grega, que passou a ter como coordenador Euclides Tsakalotos.

Atenas enfrenta problemas de liquidez devido a um impasse nas negociações com os credores (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) que tem atrasado a transferência para os cofres gregos de uma parcela de 7,2 mil milhões de euros do empréstimo concedido em 2012.