Portugal manteve sempre uma atitude "muito construtiva" nas negociações para chegar a um acordo na Grécia, alcançado finalmente esta segunda-feira. Passos Coelho disse que ele próprio deu a ideia de que o fundo de privatizações fosse utilizado para recapitalizar a banca, o que veio a constar no compromisso

"Devo dizer até que, curiosamente, a solução que acabou por desbloquear o último problema em aberto quanto à utilização do fundo partiu de uma ideia que eu próprio sugeri. Até tivemos por acaso uma intervenção que ajudou a desbloquear o problema".


O primeiro-ministro explicou que, dos 50 mil milhões de euros, sugeriu que 25 mil milhões pudessem ser utilizados para, poder privatizar os bancos que estão agora a ser recapitalizados.

Isto é, repartir os encargos: reembolsar os empréstimos, primeiro, para abater à dívida pública; e financiar o crescimento em partes iguais, disse ainda.

"Foi justamente uma ideia que eu sugeri e que verifico que acabou por ser utilizada pelos negociadores com o primeiro-ministro grego", repetiu, respondendo às perguntas dos jornalistas, em Bruxelas.

Antes, na mesma conferência de imprensa, Passos Coelho afirmou que a "hesitação e incapacidade" gregas durante estes meses conduziram a um resgate "mais exigente". O próprio primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, admite que é "duro"

"Este acordo só foi atingido porque todas as partes envolvidas colaboraram de forma construtiva", sublinhou o chefe de Governo português, salientando que há países que têm mais "problemas políticos" e querem salvaguardar os seus interesses. Mas "ninguém" bloqueou o acordo. 

Passos Coelho manifestou o desejo de que "o jogo político não vire à primeira oportunidade" e que as negociações tenham valido a pena. "É preciso ter uma noção muito real de quais são os perigos que estão à espreita e que seja dada uma solução em tempo útil à Grécia".

Passos Coelho congratulou, de resto, Alexis Tsipras pelo seu "espírito construtivo".


O acordo, em inglês:

Declaração do acordo para a Grécia