O presidente da Comissão Europeia disse esta quarta-feira que está menos pessimista quanto à situação da Grécia e às negociações com os credores, acrescentando que as reformas a apresentar por Atenas deverão chegar no máximo até ao início da próxima semana.

Na sessão plenária desta quarta-feira do Parlamento Europeu, em Bruxelas, Jean-Claude Juncker contou que falou na terça-feira com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e que este lhe disse que as reformas concretas pedidas pelos parceiros europeus serão apresentadas até final desta semana ou, no máximo, no início da próxima semana.

«Admito que estava pessimista ao longo dos últimas semanas, porque não havia progressos, mas agora voltamos a ter um processo normalizado e penso que vamos chegar a uma conclusão favorável, tanto para a Grécia – que eu tanto gosto – como para a União Europeia», disse Juncker, no debate com os deputados sobre as conclusões do Conselho Europeu da semana passada.

À margem dessa reunião que juntou os chefes de Estado e de Governo dos 28 Estados-membros, realizou-se uma minicimeira entre líderes europeus e o primeiro-ministro grego, em que Tsipras assumiu o compromisso de entregar uma lista completa de reformas específicas às instituições credoras - Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - para que o país possa aceder aos fundos pendentes do segundo resgate e que são cruciais perante as graves dificuldades de liquidez dos cofres públicos gregos.

Juncker disse ainda que quando essa lista chegar será analisada pelas instituições, que formam o «Grupo de Atenas» (nome com que foi rebatizada a troika, termo que não agradava ao novo executivo helénico), para verificar se estão em linha com o pretendido e a sua viabilidade.

«Depois das avaliações feitas, o processo pode a partir daí avançar da melhor forma possível», acrescentou Juncker, o que deverá passar pela marcação de uma nova reunião dos ministros da economia e das finanças da zona euro (Eurogrupo).

O Governo grego já disse que as reformas a apresentar aos parceiros europeus não contêm medidas de austeridade e serão baseadas na lista de propostas que o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, já apresentou em fevereiro.