Alexis Tsipras está encurralado: se aceitar as exigências dos credores, o governo de coligação desfaz-se, já que o líder do partido que partilha o poder com o Syriza acusou Bruxelas de querer esmagar a Grécia e disse este domingo que “já chega”.

Se não aceitar, sai do euro e o país entra em colapso já esta segunda-feira, quando o Banco Central Europeu fechar a torneira do financiamento de emergência aos bancos, que estão encerrados desde o final de junho.

O primeiro-ministro grego concorda com várias das exigências, mas não parece querer ceder em quatro pontos: não quer o FMI envolvido, quer alívio da dívida, que o BCE mantenha o fundo de emergência e que se risque das exigências a transferência de ativos de 50 mil milhões.

A Alemanha lidera o grupo de países que já não tem contemplações: a Grécia aceita ou sai. uma saída que pode ser temporária, com a "vantagem" de poder reestruturar a dívida, defende a Alemanha. Do outro lado, a França lidera o pouco apoio que Atenas ainda tem, com a compreensão do presidente do Banco Central Europeu. Lá de fora, os Estados Unidos vão pedindo que a Europa se entenda.

Entretanto, informações avançadas pelo "The Guardian" dão conta que durante uma reunião à parte com Angela Merkel, François Hollande e Donald Tusk, Alexis Tsipras terá conseguido anular a transferência de ativos de 50 mil milhões, mas mais importante que isso, talvez tenha conseguido anular a ameaça de saída da Zona Euro. Já quanto ao envolvimento do FMI, esse permanece apesar de Tsipras ser contra. Porém, as informações não são oficiais.

 

Já correspondente da TVI, Pedro Moreira, diz que a ameaça de uma saída do euro não estará descartada até que Tsipras aceite todas as exigências dos credores e confirma, apenas, que o primeiro-ministro grego já terá concordado com o envolvimento do FMI num terceiro resgate.

Um acordo estará próximo, mas está dependente da aprovação de Tsipras que estará intransigente quanto à criação do tal fundo de privatizações, no valor de 50 mil milhões. O correspondente da TVI, conta, no entanto, que o PM grego deverá ceder também nesta medida.
 

É a primeira vez que a Europa referenda a sua desagregação.


De acordo com o documento do Eurogrupo, Atenas necessitará de um financiamento entre 82 a 86 mil milhões de euros. Entre as exigências dos credores está a aprovação de reformas no parlamento grego até quarta-feira, um timming difícil, se não impossível de cumprir. As garantias de 50 mil milhões de euros que o Eurogrupo pede, através da criação de um fundo também levantam problemas: quem o vai gerir e qual é a soberania que sobra a Atenas no final das contas.

Mas os trabalhos de Tsipras não ficam por aqui: é que depois de um referendo em que o Não a mais austeridade ganhou, o governo fez aprovar uma proposta ainda mais austera do que a que estava a ser referendada, ainda que, leia-se, também já não fosse válida, conforme avisaram os credores quando receberam o duche de água fria da consulta popular.

Alguns jornais dão como certa uma remodelação governamental. Outros falam em novas eleições.

Game over para o Syriza? E para a Grécia?