O Governo grego iniciou esta quarta-feira consultas com o patronato e os sindicatos sobre um projeto de aumento do salário mínimo em duas etapas até ao fim de 2016, com uma primeira revalorização aplicada no outono.

O ministro do Trabalho, Panos Skourletis, iniciou hoje três dias de discussões com os parceiros sociais para apresentar os projetos de reforma do Governo que preveem o aumento do salário mínimo e o restabelecimento das convenções coletivas revogadas durante os programas de austeridade que foram aplicados desde 2010.

«Estamos vinculados à lógica do diálogo social por oposição aos governos anteriores, que na lógica do memorando (de austeridade), tomavam decisões unilaterais que levaram a uma redução brutal dos rendimentos dos trabalhadores», declarou o ministro.

O projeto do Governo prevê numa primeira fase unificar as grelhas de salário mínimo de várias categorias em torno da mesma base de 650 euros a partir de 01 de outubro, em vez dos 580 atuais.

Numa segunda fase, em julho de 2016, o salário mínimo passaria para 751 euros, uma promessa eleitoral do Syriza, que ganhou as eleições de 25 de janeiro.

Esta subida do salário mínimo não agrada a alguns países europeus com os quais a Grécia mantém conversações sobre o financiamento do país. Se o aumento se concretizar, «seis países europeus terão um salário mínimo inferior», entre os quais Portugal, apontou em finais de fevereiro o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.