Sobe o tom e a dureza do discurso dos credores para a Grécia e vice-versa. Agora foi a vez de o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, acusar o FMI de ter "responsabilidade criminal" na crise grega. 

"Chegou o momento de o FMI apresentar propostas para serem julgadas não apenas por nós, mas especialmente pela Europa", começou por dizer Alexis Tsipras ao seu grupo parlamentar, segundo a AFP.

Isto dois dias depois do fracasso das negociações com o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia, deixando a Grécia cada vez mais perto da bancarrota. O que não impediu o primeiro-ministro grego de atacar diretamente o primeiro:

"O FMI tem a responsabilidade criminal para a situação de hoje". "A fixação em cortes é mais provável parte de um plano político ... para humilhar todo um povo que sofreu nos últimos cinco anos, não por culpa própria"


"O que domina agora é a visão dura do FMI sobre as medidas e a negação da Europa em discutir a viabilidade da dívida", frisou ainda.

Cinco meses de impasse e ainda não há acordo à vista. O túnel está a afunilar cada vez mais, com o FMI a insistir em cortes adicionais no sistema de pensões da Grécia e no aumento do IVA para a eletricidade, por exemplo.

O governo grego mostra-se irredutível. Atenas diz que isso só iria aprofundar as dificuldades dos cidadãos.

Tsipras considera que o principal bloqueio ao acordo está nas divergências entre a UE e o FMI no que toca à reestruturação da dívida.   

O ministro das Finanças grego, por sua vez, adiantou já que  não vai apresentar novas propostas na reunião do Eurogrupo de quinta-feira, considerada talvez a derradeira hipótese de se alcançar um acordo. 

A Grécia atira, por isso,  a bola para o lado europeu

Esta segunda-feira o líder do Banco Central Europeu, Maerio Draghi, disse que é  impossível prever as consequências a médio e longo prazo de um eventual incumprimento por parte da Grécia, já que se entraria “em águas desconhecidas”.