O Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou, esta quinta-feira, que não vai conceder um adiamento no pagamento da dívida da Grécia, que tem de devolver 747 milhões de euros no mês de maio.
 
Segundo a agência Reuters, a presidente do FMI, Christine Lagarde, afirmou que nunca uma economia avançada teve essa possibilidade, pelo que o Fundo não vai abrir um precedente para o Governo grego.
 
Lagarde disse, ainda, que um atraso na devolução do empréstimo não é benéfico para o país, dada a sua condição atual.
 
«Nunca tivemos uma economia avançada a pedir um adiamento para uma devolução», disse Lagarde aos jornalistas.
 
No entanto, o ministro-adjunto das Finanças da Grécia já afirmou que será pago o reembolso ao FMI previsto para maio, acrescentando que as negociações com os credores devem terminar em breve para ultrapassar a «asfixia» económica.

«Há uma negociação em curso e todos os dados indicam que podemos pagar a 12 de maio», disse Dimitris Mardas em conferência de imprensa.

A 9 de abril Atenas já reembolsou ao mesmo organismo 460 milhões de euros.

O jornal Financial Times tinha avançado que a Grécia pediu informalmente ao FMI um adiamento dos pagamentos face aos problemas de liquidez do país, mas o ministro disse que na sexta-feira Atenas «vai pagar 80 milhões ao FMI».

Dimitris Mardas reconheceu os problemas de liquidez, mas afirmou que até agora Atenas tem cumprido os seus pagamentos.

«Tendo em conta a liquidez que havia quando assumi o cargo, a 24 de fevereiro deveríamos ter ficado sem liquidez e sem capacidade de pagar a ninguém, mas desde então temos cumprido todas as obrigações do Estado», salientou.

O membro do governo referiu-se também às negociações em curso com os credores e à necessidade de serem concluídas em breve.

«É necessário um acordo em breve. É necessário para a economia real que está em estado de asfixia», afirmou, acrescentando que a Grécia tem facilitado os dados aos grupos técnicos que trabalham em Atenas.

O ministro-adjunto das Finanças anunciou também uma série de medidas para reduzir as despesas de funcionamento de ministérios e organismos públicos, que poderão levar a uma poupança superior a 300 milhões de euros e que dizem respeito «a gastos em comunicação e publicidade dos ministérios».

«Vamos começar a alugar edifícios públicos não utilizados», apontou, anunciando também um projeto de lei para a redução da burocracia com o qual o governo espera economizar 177 milhões de euros.


Atenas está desde fevereiro - quando foi prolongado o atual programa de resgate, até junho - em negociações com os credores oficiais sobre as reformas a adotar no país que permitam desbloquear a ajuda financeira necessária, quando os cofres públicos helénicos estão a ficar vazios para fazer face aos pagamentos. 

Já esta quinta-feira, a Comissão Europeia afirmou que não está satisfeita com os progressos feitos nas negociações com a Grécia, quanto às reformas a aplicar no país para desbloquear ajuda financeira, e defendeu que é preciso «intensificar» os trabalhos antes do Eurogrupo da próxima semana. 
 
Na reunião dos ministros das Finanças, que se realizará a 24 de abril, em Riga (Capital da Letónia), era esperado que se chegasse a um entendimento que permitisse superar o impasse em que está o atual plano de resgate do país. 

No entanto, não é certo que haja acordo perante as dificuldades que as negociações têm enfrentado, com posições ainda muito distantes entre o Governo liderado por Alexis Tsipras e os credores reunidos no chamado Grupo de Bruxelas (constituído por Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional). 

Apesar de a Grécia já ter apresentado várias listas com propostas de reformas, as instituições continuam a exigir medidas mais aceitáveis em troca da última fatia do seu programa de assistência financeira, de 7,2 mil milhões de euros.