O Fundo Monetário Internacional aprovou esta terça-feira as medidas apresentadas pelo Governo grego, considerando que «cobrem os tópicos» relevantes, embora tenha destacado que a lista «não é muito específica».

Numa carta enviada pela diretora-geral do FMI ao presidente do Eurogrupo, Christine Lagarde afirmou que a lista elaborada pelas autoridades gregas no fim de semana como contrapartida para a extensão por quatro meses do programa de financiamento «cobre os tópicos que devem estar na agenda do novo Governo».

«Por isso, estamos claramente em condições de apoiar a conclusão de que a lista é suficientemente ampla para ser um ponto de partida válido para a conclusão bem-sucedida da revisão, como pedido pelo Eurogrupo na última reunião», escreve Lagarde na missiva dirigida a Jeroen Dijsselbloem.

No entanto, Lagarde considera que, «apesar de a lista das autoridades ser ampla, em termos gerais não é muito específica», o que explica com o facto de «o governo ser novo em funções».

A diretora-geral do FMI elogia «aquilo que parece ser uma determinação mais forte da parte das autoridades» no que se refere ao combate à fraude, mas prefere aguardar para «saber mais sobre os seus planos» nesta matéria.

Em relação a outras áreas, «incluindo talvez as mais importantes», o Fundo afirma, contudo, que «a carta [do governo helénico] não transmite garantias claras de que o governo tenciona implementar as reformas previstas no memorando de políticas económicas e financeiras».

Além disso, Lagarde aponta ainda que «não há nem compromissos claros para desenhar e implementar as reformas das pensões e do IVA previstas nem ações inequívocos para prosseguir as políticas já acordadas», nomeadamente para abrir os setores fechados, para as reformas administrativas, para as privatizações e para o mercado de trabalho.

«Consideramos que estes compromissos e ações são críticos para a capacidade de a Grécia cumprir os objetivos básicos do programa apoiado pelo Fundo. Por isso, é importante para mim sublinhar que para que as discussões sobre a conclusão da revisão sejam bem-sucedidas, não podem limitar-se ao perímetro de políticas definido na lista do governo», alertou ainda Christine Lagarde.

O Eurogrupo já aprovou, numa reunião por teleconferência, a extensão do programa de assistência à Grécia por quatro meses.

Com esta decisão formal, podem iniciar-se as formalidades exigidas em Estados-membros como a Alemanha, onde a decisão tem que ser ratificada pelo parlamento.

Na sexta-feira, numa reunião extraordinária dos ministros das Finanças da zona euro, t inha sido já negociada a aprovação da extensão por quatro meses do programa de ajuda externa à Grécia, faltando apenas a aceitação das propostas a apresentar por Atenas, o que aconteceu hoje.