O antigo ministro socialista das Finanças grego Georges Papaconstantinou, acusado de ter retirado os nomes de familiares duma presumível lista de culpados de evasão fiscal, começou esta quarta-feira a ser julgado perante um tribunal especial em Atenas.

O ex-ministro é acusado de ter falsificado, retirando os nomes de membros da sua família, de um documento que continha cerca de 2.000 gregos com contas na filial suíça do banco privado britânico HSBC, e presumivelmente culpados de evasão fiscal.

Elaborada na sequência de informações do ex-informático do HSBC, Hervé Falciani, esta lista é conhecida na Grécia por «lista Lagarde», por ter sido fornecida ao ex-governo grego pela atual diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, quando ocupava a pasta da Economia e Finanças em França.

Papaconstantinou chegou ao tribunal às 09:00 locais (07:00 em Lisboa), sem prestar qualquer depoimento. Declarou-se não culpado perante o tribunal antes do início dos primeiros testemunhos, segundo fonte judicial citada pela agência noticiosa AFP.

No cargo quando foi desencadeada a crise da dívida, Georges Papaconstantinou, 53 anos, ministro do governo de Georges Papandreou entre outubro de 2009 e junho de 2011 – quando o Partido Socialista Pan-Helénico (Pasok) detinha maioria absoluta –, foi então considerado suspeito por crimes de tentativa de abuso de confiança e falsificação de documentos públicos.

Este caso abalou um país em plena tempestade financeira.

A sua comparência perante um tribunal de exceção destinado a julgar infrações atribuídas a ministros no exercício das duas funções foi decidido em novembro após a decisão emitida pelos juízes do Supremo tribunal grego.
Trata-se do primeiro membro de um governo a ser julgado por um tribunal especial desde o final da década de 1980. Na ocasião, o antigo primeiro-ministro Andreas Papandreou, e diversos ministros do seu governo, foram julgados no âmbito de um vasto escândalo político-financeiro.

Georges Papaconstantinou, hoje retirado da vida política, tem considerado com frequência ser o «bode expiatório» da crise financeira, económica, social e política com que o país se confronta desde há cinco anos.

Papaconstantinou foi um dos responsáveis pela concretização, em conjunto com os representantes da troika de credores internacionais (UE, BCE e FMI), do primeiro e drástico plano de austeridade no país (2010-2012), em troca dos empréstimos internacionais em plena crise da dívida.

A lista com a totalidade dos nomes foi publicada pelo jornal de investigação grego Hot Doc e implicou uma série de procedimentos judiciais contra o seu editor, Costas Vaxevanis, que suscitaram uma enorme vaga de protestos. O jornalista acabou por ser libertado em primeira instância.

O processo de Papaconstantinou deverá decorrer durante várias semanas.