Os ministros das Finanças da zona euro reúnem-se esta segunda-feira em Bruxelas, num encontro decisivo para a Grécia e os parceiros europeus tentarem chegar a um acordo sobre o programa de assistência a Atenas, que expira no final do mês.

Este encontro do Eurogrupo, o segundo no espaço de seis dias - depois da reunião extraordinária da passada quarta-feira que serviu para o novo ministro grego, Yanis Varoufakis, apresentar as ideias do recém-formado Governo aos seus homólogos da zona euro -, discutirá também a pretensão de Portugal de reembolsar antecipadamente parte do empréstimo contraído junto do Fundo Monetário Internacional, no quadro do seu programa de assistência.

As atenções estarão, no entanto, centradas no caso grego. A reunião é aguardada com muita expetativa, depois de o anterior encontro do Eurogrupo e de a cimeira de líderes da última quinta-feira terem servido essencialmente para Varoufakis e o novo primeiro-ministro, Alexis Tsipras, apresentarem as posições, rejeitando o programa com a troika ainda em curso.

As autoridades gregas aceitaram no final da passada semana discutir questões técnicas com as instituições que compõem a troika, trabalho que prosseguiu ao longo do fim de semana.

Esta segunda-feira haverá então finalmente lugar a negociações políticas com vista a alcançar uma solução satisfatória para Atenas e para os restantes 18 Estados-membros do euro, o que não se afigura fácil.

Atenas pretende um acordo de transição para um novo programa, comprometendo-se com reformas distintas das exigidas pela troika, e reclama uma renegociação do pagamento da dívida, mas, do outro lado, vários Estados-membros, com a Alemanha à cabeça, têm-se mostrado inflexíveis quanto à necessidade de a Grécia respeitar os compromissos assumidos anteriormente.

Um acordo é urgente, em virtude de o atual programa de resgate à Grécia expirar a 28 de fevereiro, e o país não estar ainda em condições de regressar de forma autónoma ao financiamento nos mercados.

Bem mais pacífico será o ponto da agenda relativo a Portugal, sendo de esperar uma decisão política favorável do Eurogrupo ao plano português de reembolso antecipado ao Fundo Monetário Internacional de parte do empréstimo concedido por esta entidade da ‘troika’.

Um alto responsável do Eurogrupo explicou na passada sexta-feira que «não haverá uma decisão final» na reunião de hoje, em Bruxelas, «porque terá que haver lugar a algumas aprovações parlamentares» entre Estados-membros, mas «haverá uma decisão política». A sua «expetativa é de que essa decisão politica seja favorável a Portugal», que pretende devolver ao FMI cerca de 14 mil milhões de euros ao longo dos próximos dois anos e meio.