O presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, disse que é preciso «parar de perder tempo» e começar rapidamente as negociações sobre as reformas precisas que a Grécia deve executar.

À chegada à reunião dos ministros das Finanças da zona euro, que decorre esta segunda-feira, em Bruxelas, Dijsselbloem afirmou que nas últimas semanas «não houve progressos» reais, uma vez que as «negociações de verdade não começaram» e que é necessário «parar de perder tempo» quanto às medidas que a Grécia deve implementar para o fecho do atual programa de resgate. Siga aqui ao minuto.

Depois de um intenso mês de fevereiro, durante o qual o Eurogrupo teve de se reunir por diversas ocasiões devido às negociações em torno do prolongamento da assistência financeira à Grécia, foi finalmente alcançado um compromisso no passado dia 20 para prorrogar o atual programa de resgate por quatro meses, com Atenas a comprometer-se a apresentar medidas perante os parceiros da zona euro com vista a avançar o desembolso da última tranche do empréstimo.

Dijsselbloem disse que, desde então, se adiantou pouco trabalho, pelo que é preciso acelerar, uma vez que o «tempo está a contar» e a prorrogação do atual programa é só até final de junho.

No final da semana passada, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, enviou uma carta ao presidente do Eurogrupo com um conjunto de medidas que Atenas pretende implementar e que passam por planos para arrecadar mais impostos combatendo a fraude fiscal, redução da burocracia e medidas sociais.

Da reunião de hoje não se espera que saia qualquer acordo definitivo, mas um entendimento para continuar a trabalhar e aproximar posições.

Segundo um alto responsável do Eurogrupo, neste encontro será feito um ponto da situação sobre os progressos realizados ao nível técnico com vista ao relançamento formal das negociações entre as autoridades gregas e as instituições, mas advertiu que para já os progressos foram poucos, razão pela qual os ministros ainda não estarão em condições de analisar de que modo a Grécia pretende implementar as reformas com que se comprometeu.

Numa entrevista publicada no domingo pelo diário holandês Volkskrant, o presidente do Eurogrupo disse que não acredita que o dinheiro para a Grécia seja desbloqueado ainda este mês, uma vez que ainda são necessários que sejam realizados «alguns passos» por parte do Governo grego.

Já noutra entrevista, ao Financial Times, Dijsselbloem tinha afirmado que se a Grécia começar desde já a implementar as medidas exigidas pelos credores pode receber financiamento de emergência tendo em conta os importantes compromissos financeiros a que tem de fazer face em breve.

Esta reunião marca o reencontro do ministro grego com os seus homólogos de Portugal, Maria Luís Albuquerque, e de Espanha, Luis Guindos, depois das acusações lançadas pelo Governo grego aos governos português e espanhol - o primeiro-ministro Alexis Tsipras acusou Lisboa e Madrid de terem tentado inviabilizar um acordo no Eurogrupo anterior.

Portugal também estará na agenda, no quadro do semestre europeu de coordenação de políticas económicas e da análise dos projetos orçamentais, que colocou o país sob vigilância reforçada.

O Eurogrupo vai pronunciar-se, assim, sobre os pareceres da Comissão Europeia, que, a 25 de fevereiro, decidiu colocar cinco Estados-membros, entre os quais Portugal, sob «monitorização específica», por desequilíbrios macroeconómicos excessivos.