A possibilidade de a Grécia não pagar o que deve pode tornar-se uma realidade a muito curto prazo. Há um receio generalizado nos mercados e entre os próprios cidadãos gregos, que estão a acelerar o ritmo de levantamento das poupanças que têm nos bancos - 400 milhões, só hoje, diz a agência Reuters.

Perante esta situação, o presidente do Banco Central Europeu (BCE) diz que é impossível prever as consequências a médio e longo prazo de um eventual incumprimento por parte da Grécia, já que se entraria “em águas desconhecidas”. Mario Draghi garante que o BCE tem ferramentas para lidar com essa eventualidade, mas também insiste na necessidade de um "salto quântico" na integração monetária, de forma a que a Zona Euro possa enfrentar com sucesso este e outros desafios.

Até lá, diz Draghi, é necessário que haja um acordo "muito em breve" entre a Grécia e os outros países.

Numa audição na Comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, o  presidente do BCE avisou que o FMI e "outras instituições" acreditam que a Grécia vai precisar de mais ajuda, que a sustente para lá de 30 de junho, data em que encerra o atual programa. O problema, como se sabe, é que nem sequer tem sido possível alcançar um acordo para fechar o atual programa, muito menos sobre o próximo.

Confrontado com uma eventual falta de ajuda do BCE à Grécia por parte de  um exaltado deputado grego, Draghi lembrou que a solução para a crise é política e passa pelos governos da Zona Euro. Todos eles têm de fazer mais esforços, diz o presidente do BCE, mas a bola está do lado de Atenas, acrescenta.