As instituições já estão a analisar a proposta de reformas enviada na quinta-feira à noite pelo governo grego, estando prevista uma teleconferência entre os líderes da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional às 12:00 de Lisboa.

O porta-voz da Comissão, Margaritis Schinas, apontou que, depois de as propostas de Atenas terem sido remetidas dentro do prazo previsto (a data limite era a meia-noite de quinta-feira), “as três instituições estão neste momento a analisar as propostas, com vista a comunicar a sua avaliação ao Eurogrupo antes do final do dia”, escusando-se por isso a antecipar qualquer juízo prévio ao pacote de reformas apresentado pelo governo de Alexis Tsipras.

“Às 13:00 de hoje (12:00 de Lisboa), o presidente (da Comissão) Juncker vai ter uma teleconferência com Mario Draghi (presidente do BCE), Christine Lagarde (diretora-geral do FMI) e Jeroen Dijsselbloem (presidente do Eurogrupo)”, referiu, acrescentando que “o próximo passo será o Eurogrupo amanhã”, sábado.


A reunião de ministros das Finanças da zona euro terá lugar no sábado a partir das 15:00 locais (14:00 de Lisboa), estando Portugal representado pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque.

Para domingo estão previstas cimeiras da zona euro e da União Europeia, mas estes encontros ao nível de chefes de Estado e de Governo até poderão ser canceladas caso haja acordo ao nível do Eurogrupo no sábado, indicou hoje um alto responsável europeu.

Angela Merkel concorda com o presidente francês Francois Hollande, que classificou as novas propostas gregas de “sérias e credíveis”. 

Citado pela Bloomberg, o porta-voz da chanceler alemã referiu: “Não há diferenças entre Merkel e Hollande quanto à Grécia” 

O presidente francês sublinhou no entanto que “nada está ainda decidido”.  
 

As propostas gregas enviadas na quinta-feira à noite para os credores – Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional – preveem um aumento do IVA, bem como reformas nas pensões e na função pública.

O novo pacote de reformas, que poderá desbloquear um acordo e a evitar a saída da Grécia do euro (o chamado "Grexit"), propõe várias medidas que vão ao encontro das exigências dos credores, com o objetivo de aumentar as receitas públicas, e m troca de ajuda financeira a três anos.

De acordo com o texto das propostas, a Grécia apoia uma solução “para ajustar” a sua enorme dívida pública, de 180% do PIB, bem como “um pacote de 35 milhões de euros” destinado ao crescimento.

No documento de 13 páginas, intitulado “Ações prioritárias e compromissos”, a Grécia compromete-se a adotar muitas medidas propostas pelos credores a 26 junho, que tinha rejeitado, ao anunciar um referendo.