O ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, considerou «estúpidas» as recentes estimativas da Grécia sobre as reparações exigidas a Berlim pela ocupação do país durante a II Guerra Mundial e avaliadas em 278,7 mil milhões de euros.

«Honestamente, considero isso estúpido», declarou Gabriel, também vice-chanceler social-democrata do governo de coligação chefiado por Angela Merkel, em declarações no seu ministério.

Segundo Sigmar Gabriel, o interesse da Grécia consiste em obter margem de manobra para resolver os problemas da dívida, mas esta «margem de manobra nada tem a ver com a II Guerra Mundial e o pagamento de reparações», insistiu.

Um porta-voz do Ministério das Finanças germânico, citado pela agência noticiosa AFP, insistiu que «o assunto está encerrado, juridicamente e politicamente», reiterando a posição de Berlim e recusando comentar os novos cálculos emitidos por Atenas.

Durante um debate no parlamento grego que decorreu sábado, o secretário de Estado do orçamento, Dimitris Mardas, indicou que os seus serviços tinham avaliado em 278,7 mil milhões de euros o montante das reparações de guerra devidas pela Alemanha à Grécia na sequência da ocupação do país entre 1941 e 1944.

O debate sobre as reparações alemãs ressurgiu após o início da crise económica na Grécia e o governo de Alexs Tsipras, confrontado com grandes dificuldades de financiamento, reivindica o pagamento destas reparações.

Segundo Mardas, o valor de 278,7 mil milhões de euros inclui um empréstimo forçado de 10,3 mil milhões de euros, exigido pelos ocupantes ao Banco da Grécia, e ainda os prejuízos sobre «os particulares e as infraestruturas» do país.

Um relatório oficial grego tinha previamente estimado em 162 mil milhões de euros o valor destas reparações.
Para Berlim, e em termos oficiais, a questão das reparações e das indemnizações de guerra foi definitivamente resolvido através dos tratados internacionais, mas diversos responsáveis são menos categóricos.

Em meados de março, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros alemão, Michale Roth, também do Partido social-democrata (SPD), admitiu o aumento da contribuição alemã para um fundo germano-grego, sugerindo assim a possibilidade de algumas compensações mas sem fornecer números.

Diversos setores da oposição alemã também defendem há várias semanas uma atitude mais favorável face à Grécia e na segunda-feira Bernd Riexinger, presidente do partido da esquerda radical Die Linke, defendeu em declarações à AFP que o empréstimo forçado imposto pela Alemanha nazi «deveria ser reembolsado».

«O Governo alemão faria melhor em cooperar» com Atenas «e encetar a via do diálogo, da compreensão e do direito», acrescentou, antes de admitir que o tema das reparações de guerra era «desconfortável».