O Banco Central Europeu aprova as medidas propostas pela Grécia, considerando que são «um ponto de partida válido» para o processo de revisão, mas coloca algumas reservas.

Numa carta enviada esta terça-feira pelo presidente do BCE ao presidente do Eurogrupo, Mario Draghi afirma que o documento entregue por Atenas, numa primeira leitura, «cobre um vasto leque de áreas de reforma», pelo que «é suficientemente abrangente para ser um ponto de partida válida para a conclusão bem sucedida da revisão».

Na missiva endereçada a Jeroen Dijsselbloem, Dragui acrescenta que o tempo disponível para apreciar a proposta foi insuficiente para uma análise das propostas concretas e dos compromissos do Governo grego no que respeita ao crescimento, às finanças públicas e à estabilidade financeira.

No entanto, o responsável máximo do BCE sublinha que as bases para a conclusão da atual revisão e de futuros compromissos são «o atual Memorando de Entendimento e o Memorando de Políticas Económicas e Financeiras», chamando a atenção para o facto das medidas propostas agora por Atenas serem «diferentes do atual programa de compromissos em várias áreas».

«Nesses casos, vamos ter de analisar, durante a revisão, quais são as medidas que não são aceites pelas autoridades e que são substituídas por medidas de igual ou melhor qualidade, para que se atinjam os objetivos do programa», avisa Mario Draghi.

Também o Fundo Monetário Internacional aprovou as medidas apresentadas pelo Governo grego na segunda-feira à noite, considerando que «cobrem os tópicos» relevantes, embora tenha destacado que a lista «não é muito específica».

Quanto ao Eurogrupo, j á aprovou, numa reunião por teleconferência, a extensão do programa de assistência à Grécia por quatro meses.

Com esta decisão formal, podem iniciar-se as formalidades exigidas em Estados-membros como a Alemanha, onde a decisão tem que ser ratificada pelo parlamento.

Na sexta-feira, numa reunião extraordinária dos ministros das Finanças da zona euro, tinha sido já negociada a aprovação da extensão por quatro meses do programa de ajuda externa à Grécia, faltando apenas a aceitação das propostas a apresentar por Atenas, o que aconteceu esta terça-feira.