Atenas precisa de «seis semanas no máximo» para elaborar «propostas alternativas à austeridade» e já está a negociar com o Fundo Monetário Internacional, afirmou o ministro das Finanças grego em declarações à imprensa italiana.

«Vão ser necessárias no máximo seis semanas: é o tempo que pedimos aos parceiros europeus para poder terminar um programa coerente de propostas alternativas à austeridade da troika» de credores, declarou o ministro das Finanças grego, Yanis Varufakis, em declarações ao diário italiano Il Messaggero.

Confrontado com uma dívida colossal de mais de 300 mil milhões de euros, o novo Governo, proveniente da esquerda radical, tenciona reembolsar integralmente o Banco Central Europeu (BCE), fazendo o primeiro pagamento a 20 de julho, adiantou ao La Repubblica.

Para a dívida ao Fundo Monetário Internacional e aos países, «nós propomos uma substituição por novos títulos, a taxas de mercado, atualmente muito baixas, com uma cláusula segundo a qual começaremos a reembolsar quando a Grécia registar um crescimento sólido», explicou.

«Também começámos negociações com o FMI. Não percebo porque é que não haveria de aceitar um adiamento como faz sempre em casos deste tipo», adiantou o ministro, atualmente em digressão em várias capitais europeias.

Varufakis referiu ainda ao Il Messaggero, que além das seis semanas, a Grécia pede «a possibilidade de fazer reformas socialmente compatíveis, a aceitação do facto que as propostas e as soluções devem, antes de tudo, visar uma resolução da crise humanitária, e a tomada de consciência que a crise da Grécia é acima de tudo uma crise europeia».

Varufakis, que esteve na terça-feira em Roma, encontrou-se esta quarta-feira com o presidente do BCE, Mario Draghi, e deverá reunir-se na quinta-feira em Berlim com o homólogo alemão, Wolfgang Schauble.

Em Roma, Varufakis explicou que a Grécia procurava reencontrar uma «estabilidade suficiente e um ritmo orçamental» que lhe permitam poder começar a debater com os seus parceiros europeus para concluir um «novo acordo a 01 de junho» com os países da zona euro, o FMI e o BCE.