O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras escreveu uma carta a Angela Merkel na semana passada a avisar que seria «impossível» a Atenas pagar a dívida aos credores internacionais nas próximas semanas sem mais ajuda financeira. A confirmação do envio da carta foi feita pelo próprio governo grego, escreve a Reuters.

Nessa missiva Tsipras alertou que o governo de Atenas seria forçado a escolher entre pagar os empréstimos ao FMI ou continuar com a financiar as prestações sociais, segundo o «Financial Times».

«Dado que a Grécia não tem acesso aos mercados financeiros, e também devido ao facto de os reembolsos da dívida atingirem picos durante a primavera e o verão…É claro que as restrições do BCE, combinadas com o adiamento do pagamento da ajuda financeira fazem com que seja impossível a qualquer governo pagar a dívida», escreveu Tsipras.


O PM grego sublinha ainda que esta situação iria levar a uma maior deterioração na já deprimida economia grega, uma perspetiva que Tsipras não quer.

A missiva de cinco páginas é particularmente crítica do BCE, que Tsipras aponta ter sido o responsável por proibir a banca helénica de deter mais dívida pública de curto prazo quando pediram a extensão do empréstimo por quatro meses, já que isso fez com que as necessidades de financiamento sejam urgentes, na medida em que a banca grega é um dos poucos credores da dívida pública.

Apesar do governante ter reiterado na carta que Atenas está «comprometida a cumprir as suas obrigações de boa-fé e com uma cooperação próxima com os parceiros», Tsipras também aproveitou para deixar o aviso a Merkel: um falhanço em encontrar financiamento a curto prazo pode levar a problemas bem maiores.

O porta-voz do governo helénico sublinhou que a visita de Tsipras a Berlim, esta segunda-feira, não se focará nestes assuntos, que já foram objeto de discussão na minicimeira da semana passada.

Questionado por uma televisão grega sobre se Atenas vai escolher pagar salários ou pagare a dívida Gabriel Sakellaridis afirmou que «não é uma ameaça, é uma realidade».

Na missiva, Tsipras culpa o Banco Central Europeu por limitar a Grécia na emissão de dívida de curto prazo, assim como os credores que se recusam a libertar fundos até que Atenas adote novas reformas.