É uma relação cada vez mais tensa a que existe entre o devedor grego e o credor alemão. Na terça-feira, Wolfgang Schäuble deu uma conferência de imprensa em Bruxelas, depois da reunião dos ministros das finanças da União Europeia. As palavras do governante alemão provocaram gargalhadas na assistência e indignação em Atenas. É que, segundo o governo grego, Schäuble insultou o seu homólogo Yanis aroufakis. De maneira nenhuma, garante agora o alemão.

O facto é que Atenas enviou o protesto oficial para Berlim, a dizer que Schäuble não pode insultar um colega. Isto apesar de o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros reconhecer que a imprensa grega traduziu mal as palavras do ministro alemão, escrevendo que Schäuble chamou a Varoufakis «estupidamente ingénuo».

Seja como for, o governo do Syriza considera o tom de Schäuble em relação a Yanis Varoufakis insultuoso. Não indo tão longe, o próprio Varoufakis disse a uma televisão grega que a sua presença nas reuniões do Eurogrupo irrita os seus homólogos, e não só alemão. Isto porque estavam habituado ao comportamento dos ministros anteriores, que aceitavam tudo o que lhes era imposto.

Com as negociações para permitir a continuação dos empréstimos à Grécia a azedar de dia para dia, Alexis Tsipras deu uma no cravo e outra na ferradura.

Por um lado, vai ter a assessoria da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico para auxiliar o Governo a realizar reformas exigidas por Bruxelas. Mas, por outro, voltou a dizer que a Grécia não pagará a dívida tal como ela está neste momento.

Palavras que provocam irritação em Berlim. A juntar à irritação pela insistência de Alexis Tsipras em desenterrar um embaraçoso esqueleto: a exigência grega de que a Alemanha lhe pague mais reparações da Segunda Guerra Mundial, um assunto que o governo germânico diz que está encerrado pelo menos desde 1990.