Primeiro foi a reação ao referendo, quando disse que o primeiro-ministro grego  cortou as últimas pontes com a Europa. Agora o vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel vai ainda mais longe: a Grécia nem nunca devia ter entrado no euro. 

O líder do SPD, que forma coligação com o partido de Angela Merkel, admitiu esta terça-feira, pela primeira vez, que foi um erro admitir Atenas na moeda única. 

"A entrada da Grécia no euro, a partir da perspectiva que temos hoje, foi algo muito ingénuo"


Sigmar Gabriel frisou ainda, em entrevista ao germânico "Stern", que "o pior é que o país já foi assistido durante demasiado tempo" e caiu em crises sucessivas.

Uma declaração que chega no dia do Eurogrupo, a primeira reunião depois da vitória expressiva do 'não' no referendo de domingo. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker declarou-se já hoje contra um Grexit. Há, no entanto, muitas vozes da discórdia no seio dos líderes europeus. 

O vice-chanceler alemão defendeu também que os países têm de cumprir "as regras do jogo" na Europa. Claro que se pode imaginar o cenário de alívio da dívida, mas Sigmar tem dúvidas de que isso resolva os problemas: "Se nós simplesmente aliviarmos a dívida, sem que muita coisa mude estruturalmente na Grécia, nada está ganho".

Apesar do pessimismo, deixou transparecer alguma confiança sobre o desfecho, seja ele qual for: "No final, vamos encontrar uma maneira de sair da crise da Grécia".
 

"A zona euro é forte e estável"

As críticas afiadas ao governo do Syriza continuaram, com o alemão a acusar Alexis Tsipras de ter tentado virar a zona euro do avesso.

Voltou, por outro lado, a defender programas de ajuda humanitária para os cidadãos que vivem na Grécia, até porque "não podemos fazer das pessoas responsáveis ​​pelas tolices de seu governo", atirou, aludindo também ao facto de haver muitos turistas no país. 

A Alemanha e a zona euro estão armada, sem medos, para as consequência de um eventual grexit. "A zona euro é forte e estável". A Grécia é "importante", mas as "negociações intermináveis" estão a esgotar o tempo.

E há outros problemas nos quais a Europa precisa de se concentrar. Dramas muito importantes como a situação na Ucrânia e os refugiados, exemplificou, defendendo que será preciso investir forças para resolver esses problemas.