A Plataforma “Defender o Bom Sucesso” voltou a exigir a revogação do estatuto de interesse nacional de um empreendimento turístico que obriga ao corte de árvores e movimentações em dunas junto à Lagoa de Óbidos.

Em causa está o do Conjunto Turístico Falésia D’El Rey, um projeto PIN (Potencial Interesse Nacional) aprovado para o Bom Sucesso, na faixa costeira a sul da Lagoa de Óbidos, no distrito de Leiria, o que obrigou ao corte de árvores, o que a plataforma contesta devido ao “enorme impacto ambiental provocado no sistema dunar, pela destruição do coberto vegetal, com consequências na erosão das falésias e na falta de proteção contra os ventos marítimos”.

Numa petição entretanto lançada pela Plataforma, e já subscrita por 1.240 pessoas, é pedida a revogação do alvará de loteamento do projeto que os subscritores consideram não cumprir, pelo menos, dois dos requisitos de um PIN - “comprovada viabilidade económica e reconhecida idoneidade e credibilidade do respetivo promotor” e “adequada sustentabilidade ambiental e territorial”.

O projeto prevê a construção de dois hotéis, um deles de cinco estrelas, 475 apartamentos, moradias de luxo, piscinas e campos de ténis e um de golfe de 18 buracos na margem sul da Lagoa de Óbidos.

Em comunicado, a Quercus alertou já para o facto de o projeto, que está a ser erguido numa área de 240 hectares, ter arrasado “uma extensa área dunar e de floresta de proteção à orla costeira, desfigurando uma paisagem única e de grande sensibilidade ambiental".

O projeto está licenciado pela autarquia de Óbidos e foi emitida, em 2009, uma declaração de Impacto Ambiental (DIA) que quer os serviços camarários quer os do Ministério do Ambiente dizem estar a ser cumprida.

À agência Lusa, a GNR esclareceu que o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) tem-se deslocado ao local nos últimos três anos e concluiu que os trabalhos estão autorizados.