O bastonário da Ordem dos Economistas, Rui Leão Martinho, considerou esta quarta-feira expectável a continuação da Grécia na União Europeia e na zona euro e disse que a influência negativa de Atenas sobre Portugal tem sido «relativamente controlada».

Rui Leão Martinho, que hoje tomou posse, depois de ter sido reeleito bastonário, disse à Lusa acreditar que a situação da Grécia vai evoluir num «sentido menos negativo» para a integração europeia e para a influência nos mercados do sul do que se pensou no início deste processo «de deriva» do país.

O bastonário ressalvou que, muitas vezes, durante os períodos eleitorais, os discursos são feitos num tom que muda depois das eleições e que a Grécia vai acabar por reconhecer que é necessário levar o país para a frente da melhor maneira, respeitando os compromissos internacionais e fazendo as necessárias adaptações.

«Essa é talvez a expetativa que podemos ter no pós eleições gregas», frisou, defendendo que a influência da Grécia tem sido relativamente controlada em países como Portugal, Espanha e Itália.

Rui Leão Martinho lembrou ainda que a saída da Grécia da União Europeia abriria um precedente e exigiria uma avaliação do seu impacto noutros países, uma vez que grande parte da divida grega foi tomada e está espalhada por outros países europeus.

O semanário alemão Der Spiegel publicou, no fim de semana passado, que o Governo de Angela Merkel estudava a saída da Grécia do euro, no caso de vitória eleitoral de Alexis Tsipras, do Syriza, no escrutínio de 25 de janeiro e de abandono do programa de reformas.

Na segunda-feira passada, no encontro habitual com a imprensa, o porta-voz do Governo de Merkel, Steffen Seibert, recusou comentar «situações hipotéticas» e negou que o executivo alemão tenha mudado de postura em relação à Grécia.

Quanto à descida dos preços do petróleo, o bastonário considerou-a positiva e acrescentou que se esta baixa de preços se mantiver por um «longo período» pode ainda ser mais positiva.

«Mas temos de pensar que o petróleo é flutuante e pode ter de novo subidas, voltando aos valores do passado. Neste momento, temos é de aproveitar ao máximo aquilo que favoravelmente nos é oferecido por esta descida do petróleo», concluiu.