Pode ser uma mais-valia para o setor: é assim que a Federação de Motociclismo de Portugal reage, num comunicado publicado na sua página da Internet, à inspeção obrigatória aos veículos de duas rodas, embora duvide que entre em vigor já em outubro, como foi noticiado

“Declaramos o nosso apoio institucional ao alargamento das inspeções às motos, porque acreditamos que, se forem devidamente regulamentadas e na prática bem concretizadas, representarão uma mais-valia para a prática do motociclismo. Mais, acreditamos que este setor de negócio (Centros de Inspeção) deveria no futuro ser de algum modo responsabilizado pelo trabalho executado”

A federação mostra-se “serena quanto ao tratamento do tema”, mas "estranha as notícias vindas a público emanadas por um organismo diretamente interessado do ponto de vista económico na matéria quando, a ser verdade (…), deveria ser alguém representante do Governo a tornar pública a notícia”.

Esse organismo é a Associação Nacional de Centros de Inspeção Automóvel, que pediu ao Governo não só a extensão das inspeções a todos os veículos de duas e três rodas, tratores e máquinas industriais, mas também inspeção obrigatória quando um veículo é vendido, sempre que a última inspeção tenha sido realizada há mais de três meses.

A Federação de Motociclismo diz ter dúvidas que haja inspeções a motos a partir de outubro próximo. “A FMP está a procurar respostas sobre a veracidade desta notícia junto das instituições oficiais responsáveis sobre esta matéria, até porque recentemente este assunto ficou pendente em Bruxelas até 2022, ou seja, até esse ano não haverá norma europeia em que os países membros se possam basear para implementar de uma forma cuidadamente harmonizada as inspeções às motos”.

Na quarta-feira, uma fonte oficial do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas disse à Lusa que a publicação da portaria que deverá fixar a data e as condições para as referidas inspeções, aguarda a conclusão do processo de aprovação da adaptação das instalações dos centros de inspeção já existentes à inspeção das novas categorias de veículos, de forma a assegurar a cobertura de todo o território nacional, sendo que “não existe ainda uma data previsível para a entrada em vigor desta medida”.

Ao que tudo indica, a inspeção obrigatória das motos deverá custar 12,5 euros mais IVA.