A carteira de encomendas das empresas de construção continua em queda. Em maio deste ano, atingiu mesmo o mínimo desde janeiro de 1989, revelou a Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (FEPICOP).

De acordo com a análise de conjuntura da federação, o valor registado, com apenas 5,3 meses de produção assegurada por encomendas, «é mesmo o mínimo de toda a série do inquérito mensal à atividade promovido junto dos empresários da construção e cujo início remonta a janeiro de 1989».

«A redução continuada da procura tem sido uma das responsáveis pela grave crise vivida pelo setor, a qual se tem traduzido num avolumar das insolvências de empresas de construção», acrescenta em comunicado.

A construção é responsável por 20% das insolvências empresariais registadas até ao final de julho de 2013 e, segundo a FEPICOP, em cada cinco postos de trabalho destruídos no último ano, um era do setor da construção.

Até ao final de maio, a área licenciada para construção de habitação caiu 38%, em termos homólogos, com o número de fogos licenciados a cair 42% no mesmo período.

Já a área autorizada para construção de edifícios não residenciais diminuiu 18%, uma quebra atenuada pelo crescimento verificado nas áreas destinadas à agricultura e pescas e à indústria.

Na mesma linha, e no primeiro semestre do ano, o investimento público em construção «tem vindo a reduzir-se de forma expressiva», registando quebras de 12% no valor dos concursos abertos e de 24% no montante de obras adjudicadas (após reduções de 44% e de 52%, respetivamente, em 2012).

«A este enquadramento tão desfavorável» acrescem as dificuldades relacionadas com o financiamento, quer às empresas, com uma redução de 14%, desde janeiro e até ao final de maio, quer às famílias.

Ao longo dos cinco primeiros meses do ano, foram concedidos às famílias apenas 792 milhões de euros para aquisição de habitação, um valor inferior em 50 milhões de euros ao concedido por mês, em média, em 2010.