O desemprego foi caindo ao longo de todos os meses de 2017, com exceção de novembro. O ano terminou com 404.800 desempregados inscritos, o número mais baixo desde outubro de 2008, segundo os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional remetidos às redações pelo Governo. O ministro do Trabalho reagiu a estes dados dizendo que são "extremamente positivos", mas que não se pode esquecer o caminho que ainda tem de ser percorrido.

Estes dados são, obviamente, extremamente positivos. São dados que todos os sinais apontam que se vão reforçar, mas que não nos fazem esquecer as dificuldades e o caminho que tem de continuar a ser percorrido".

Estamos a falar de pouco menos de meio milhão de pessoas sem trabalho em Portugal, um valor ainda elevado, mas o Ministério do Trabalho destaca, em comunicado, que 78.800 pessoas saíram das estatísticas negras face ao final de 2016 (em percentagem são 16,3%).

O desemprego registado nunca diminuiu tanto no espaço de dois anos. O desemprego diminuiu em cadeia todos os meses do ano (com exceção do mês de novembro em que se manteve estável) a um ritmo médio de -1,8%, o que significa que, em média, saíram do desemprego 8.200 pessoas por mês ao longo do ano passado".

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O desemprego jovem baixou, mas ainda há 44.400 pessoas desta faixa etária que não têm emprego. Comparando com 2016, 10.900 arranjaram trabalho.

O decréscimo em cadeia do desemprego é maioritariamente explicado pela saída do desemprego de jovens, pessoas à procura do primeiro emprego e com qualificações de nível secundário e superior".

Quanto ao desemprego de longa duração, o número de desempregados inscritos há 12 meses ou mais baixou para 193.000, "o valor mais baixo desde dezembro de 2009 e que representa uma redução de 38.600 pessoas face ao final de 2016", destaca a mesma nota do ministério liderado por Vieira da Silva.

Setor da construção é o que mais recupera

O desemprego baixou em todas as regiões do país, sobretudo no Norte (-15,7% ou 31.600 pessoas que conseguiram arranjar trabalho) e Lisboa (-17,2% ou 42.300 pessoas). No total, estas duas regiões representam 71% da redução homóloga do desemprego.

Todos os setores de atividade viram melhorias, com a maior redução homóloga a registar-se no setor da construção. Neste setor tão fustigado pela crise, o desemprego recuou 27,9% no final de 2017 (menos 12.300 mil desempregados).

A construção teve um contributo de 18% para a redução global do desemprego. No caso do alojamento, restauração e similares foi 9%, com 20.000 empregos criados.

Registaram-se aumentos pontuais do desemprego entre homens, adultos, com níveis de qualificação mais baixos, no Algarve

(+11,8%) e na Madeira (+1,4%). Aconteceu, também, em alguns setores de atividade (nem todos com padrão típico de sazonalidade).

"Valores mais próximos do período pré-crise"

O ministro Vieira da Silva sublinhou, ainda, que os dados divulgados pelo IEFP são "uma boa notícia" e o "reconhecimento que, no espaço dos últimos dois anos, foram criados cerca de um quarto de milhão de novos empregos - empregos líquidos - e que esse emprego foi ainda mais forte do que a diminuição do desemprego".

Quer dizer que foram trazidas pessoas para o mercado de trabalho que estavam fora do mercado de trabalho e que a economia portuguesa apresentou um dinamismo significativo. Não atingimos ainda os valores que possuíamos antes da crise, mas, ao nível do volume de desemprego, os valores já são próximos, se não idênticos".

O atual contexto do emprego em Portugal permite, entende Vieira da Silva, que o Governo torne "mais forte o combate àqueles núcleos mais pesados, mais duros, mais difíceis do desemprego", como o desemprego de longa duração ou o desemprego jovem, nomeadamente os jovens que não trabalham nem estudam.

Redução do desemprego em 2017 comparando com 2016

Desemprego en termos globais -16,3%
Jovens -19,7%
Adultos -15,9%
Desempregados de curta duração -16%
Desempregados de longa duração -16,7%
Pessoas à procura do primeiro emprego -15,8%
Pessoas à procura de novo emprego -16,4%