O comissário europeu Carlos Moedas diz que nunca fez «intermediação de contactos» envolvendo os problemas no Grupo Espírito Santo e no BES.

«Nunca fiz intermediação de contactos», disse Carlos Moedas, num conjunto de respostas escritas a perguntas dos vários partidos da comissão parlamentar de inquérito BES/GES, a que agência Lusa teve acesso.

Moedas foi Secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro e confirmou nas suas respostas uma reunião tida a 02 de maio com o ex-banqueiro Ricardo Salgado e um contacto telefónico no começo de junho do histórico líder do BES a «reportar um caso de justiça no Luxemburgo» e a pedir ao antigo governante para «falar com o presidente da Caixa Geral de Depósitos para agendar uma reunião».

Tal contacto de Salgado causou «estranheza» a Moedas, diz o atual comissário europeu.

E continua: «Nem sequer informei o senhor primeiro-ministro do telefonema precisamente por entender que o mesmo não merecia qualquer seguimento».

Moedas diz ainda que teve conhecimento das dificuldades no GES e no BES na reunião de 02 de maio com Ricardo Salgado mas, alerta, «a gravidade dessas mesmas dificuldades, assim como as medidas impostas, a falta de cumprimento das medidas e a própria medida de resolução», conheceu-as pela comunicação social.

«A minha missão no Governo consistia na gestão e acompanhamento da execução das reformas estruturais previstas no memorando de entendimento, o que excluía portanto as questões relacionadas com o sistema financeiro assim como as questões puramente orçamentais», vinca o responsável.

E acrescenta ainda: «Depreendi que a situação poderia ser mais preocupante do que se supunha pelo que admiti que pudesse haver implicações para o processo de saída de programa [de ajuda externa] em que Portugal se encontrava».
As respostas escritas de Moedas são as primeiras que são conhecidas de um vasto conjunto de personalidades que já receberem nas últimas semanas as perguntas dos vários partidos da comissão parlamentar.

A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de novembro passado e tinha inicialmente um prazo total de 120 dias, até 19 de fevereiro, que foi prolongado por mais 60 dias.

Os trabalhos dos parlamentares têm por objetivo «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades».